Benê Cantelli
Viver entre os humanos, muitas vezes, nos leva a compreender que é preferível fazer esta convivência com os animais. Inclusive, na Bíblia encontramos: “Ai do homem que confia em outro homem”.
Lembrar, também, que a mesma historiografia sagrada nos coloca a primeira tragédia referendada pelo homicídio de Caim contra seu irmão Abel, como resultado do sentimento crasso da inveja que este despertava em Caim, por oferecer a Deus o que tinha de melhor.
Amizades que se dissolvem. Uniões matrimoniais que se desfazem. Parentes que não se entendem. Companheiros de trabalho ou estudo que mobilizam os mais tristes exemplos de desunião, são formas comuns que se evidenciam, dia a dia, no universo da convivência humana.
Tenho percebido, por mim mesmo, que neste universo, prima por esse desconforto a falta de zelo que está na raiz do ser humano: o preconceito. Encontramos uma pessoa falante, principalmente a que tem uma voz forte, já cognominamos de atrevido, pedante e às vezes, até, insolente. Nunca a vimos, mas rotulamos da forma como desejamos porque de alguma maneira nos incomodou.
Em outras circunstâncias, nos deparamos com uma pessoa que está diante de nossos olhos pela primeira vez: Baixo, com voz delicada, vestido com simplicidade, entendemos que faz por merecer a peia de coitado, bonzinho, fácil de ser manobrado, sem muitas referências notáveis.
Na verdade, o sobressalto aparece quando começamos a conversar. No diálogo, aos poucos, vamos percebendo que nosso juízo não foi dos melhores. Quebramos a cara!
Pior, quando não tivemos e nem procuramos a oportunidade de conversar ou mesmo, conhecer a tal pessoa em referência e, já espalhamos nossos conceitos preconcebidos, à irreverência, sem, ao menos, saber direito o nome daquele que estamos malhando.
Por essas e outras razões vivemos infelizes. Há, sempre, uma cobrança do Alto por tudo aquilo que fazemos aos nossos semelhantes, sejam eles pais, filhos, irmãos, parceiros de convivência familiar ou laboral, ou mesmo com quem, sequer, conhecemos, mas passamos a conviver.
Pessoas podem se tornar obstáculos em nossa convivência mesmo sem a concorrência de nossa vontade. Isto nos deve ensinar que há um caminho para sermos felizes: Não fazer com os outros o que não gostamos que nos façam. Não havendo caminho para a felicidade, reconhecemos que se torna feliz aquele que faz seu caminho feliz ao andar distribuindo essa mesma felicidade.
Não há como ser feliz sem conviver feliz.
Compartilhe com quem você ama. Este é o principio. A cada momento, vai estendendo entre seus pares, o desejo de ver multiplicado o valor incomensurável da felicidade compartilhada.
O tempo não espera nossas indecisões.
Jamais confie que sua decisão de amar e fazer outros felizes terá reconhecimento e recompensa. Simplesmente, faça.
Liberte-se nos braços dAquele que jamais decepciona, mas que também não nos dá tréguas, principalmente, quando te ama muito. Com Ele não há demagogia, nem firulas.
Penso que o nosso tempo de ser feliz deve ser tão igual ao tempo de morrer feliz, mesmo sabendo que em nossa jornada temos muito mais encontros com pessoas que nos jogam pra baixo, e que, não poucas vezes, nos prostram com emoções que nos levam a tristezas profundas. Algumas nos ferem sem dó ou piedade. Sem tiros ou facadas. Sem alarde. No silêncio da dor e na desordem que motivam em nosso espírito, se deleitam.
A todas essas pessoas, o beneplácito de nosso perdão e o aconchego de nosso amor. Tarefa difícil? Muito, mas é a ordenança do Mestre para quem deseja ser feliz, mesmo vivendo entre os tais “seres humanos”.
Bom dia.
Melhor semana.
Professor e Campista