21/09/2011 18h07 - Atualizado em 21/09/2011 11h07

Dessa vez, meu amigo Isaac falhou

 

Benê Cantelli

Diante de um ícone do conhecimento humano e de ilibado trabalho na defesa da inocência amparada pelo Direito, homem de cultura ímpar e de uma verve histórica sem igual, esbarrou e manchou verdades que assustaram, inclusive, os de menor domínio do saber Cristão e bíblico. Num campo em que a FÉ, que não é de nossa conquista, mas sim um dom de Deus, não é fácil nem de ser entendida e muito menos assimilada, ele nega verdades, históricas e dogmáticas, no artigo de sua lavra, desta última sexta feira (16).

Contudo, se por um lado falha, talvez pela, ainda, inexistência de sua FÉ, por outro afirma o que é de nosso sobejo conhecimento: “Provavelmente a fé nunca moveu montanhas, mas existe tanta gente que ultimamente explora-a, e inegavelmente passou a movimentar altas contas bancárias”.

No entanto, afirmar que a ressurreição de Lázaro não existiu, cheira a blasfêmia ou heresia. Citamos aqui sua afirmação: “Entretanto Lázaro, o morto bíblico ou fosse outro judeu qualquer, a medicina explica os porquês da ausência dos fortes odores sendo ele “ressuscitado”. Portanto, bastou rolarem a pedra da tumba, para o “defunto” sair caminhando”. Acontece que meu amigo Isaac não leu a passagem referida, no texto bíblico. Ei-la: “Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal porque já é de quatro dias”. Jô,11,39

Lamentável, no menor dizer, é sua afirmação sobre a possível não existência de Jesus: “... arautos da fé propagaram ensinamentos de um Cristo, cuja existência ninguém preci-sou sem controvérsias nos anais da história. E, para piorar, agnósticos contestaram-na, docu-mentalmente”.

Não há necessidade de ter grande perspicácia para notar que era do maior interesse de uma classe de judeus, os fariseus, que Jesus falhasse em quaisquer de suas manifestações públicas. Pois, diante do fato inequívoco de não haver encontrado, sequer, uma dessas falhas, tiveram que condená-lo, diante da afirmação do cônsul romano Pilatos, que disse: “Não encon-tro culpa alguma nesse homem”. Lc 23,4

Ao citar os agnósticos como fonte de informação, já colocou em dúvida a origem e a essência de suas afirmações, porquanto, confessando-se ateus, não poderiam, em matéria de FÉ, dizer outra coisa que não seja a própria contestação. Entendo que, se os fariseus que tinham o maior interesse em encontrar alguma falha em Jesus, não encontraram, não seriam aos agnósti-cos de tantos séculos “a posteriori”, que daríamos crédito em quaisquer de suas afirmações.

Diante de um homem assoberbadamente culto e com um português invejável, dei-xando orgulhoso o próprio Luis de Camões, é difícil entender como a FÉ não é apanágio nem dos mais proeminentes conhecedores da Palavra e nem daqueles que pouco ou nenhum conhe-cimento tem. Vejamos o que diz a Bíblia em Hebreus, 11,1: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se espera, a convicção de fatos que não se vêem”. Portanto, para todos aqueles aos quais, Deus não concedeu o dom da FÉ, dificilmente, as coisas do alto, as chamadas sobrenaturais, poderão ser entendidas pela mente humana, ainda que extraordinariamente lúcida e brilhante.

Sem embargo, ao deleitarmo-nos na leitura do texto apresentado pelo ilustre causídi-co, quando versa sobre ciência, vemos como o amigo Isaac administra com versatilidade deter-minados conhecimentos, viajando pelo mundo dos Faraós, mumificados, tesouros e papiros. Passando pelo calendário gregoriano, os solstícios romanos pagãos, chegando à teoria das espé-cies, do britânico Darwin, sem deixar de lado o grande dramaturgo inglês Shakespeare, escre-vendo a respeito desse portal de sonhos e, mais, versando ainda sobre os usos da eletricidade, inventados por Thomas Alva Edson.

Fantástico. Porém, ao delinear conceitos ou afirmações que demandam a presença e vivência da FÉ, passa a contorcer-se em erros, por vezes, pueris.

*Professor


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