As estátuas do monumento da Praça Antônio Alves Duarte

Por: Fernando dos Anjos Souza - 14/06/2018 07h00

A Praça Antônio Alves Duarte, próxima ao Hospital Evangélico, em Dourados, está em reforma. Nela, destaca-se o Monumento aos Herois da Guerra do Paraguai, ignorado e ausente nas Comemorações do Sesquicentenário do Conflito da Tríplice Aliança (1864-1870). Elas transcorrem, em sua maior parte, em Mato Grosso do Sul, por ser o local onde as ações se desencadearam durante o conflito.

O monumento exibe cinco estátuas de bronze: tenente Antônio João Ribeiro, coronel Carlos de Moraes Camisão, e as alegorias da Pátria, da Espada em funeral e da História. Elas são réplicas das existentes no Monumento aos Herois de Laguna e Dourados, erigido na Praia Vermelha no Rio de Janeiro. As estátuas resultaram do trabalho de um escultor carioca, contratado em 1990, pelo então prefeito Braz Melo, como uma forma de homenagear os heróis nacionais que pereceram nesta região sul-mato-grossense. O planejamento inicial era para dispor as peças em diferentes pontos da cidade. Porém, ao ver o seu mandato terminando, o prefeito resolveu reuni-las em um só local, construindo o monumento.

O coronel Carlos Camisão comandou as tropas expedicionárias brasileiras que partiram de Miranda para atuar no Norte do Paraguai e avançaram vinte e poucos quilômetros além do Rio Apa, até a Invernada da Laguna. Com a falta de mantimentos, munição escassa, a ameaça da fome iminente, em 8 de maio de 1867 iniciou-se a manobra militar de retirada, descrita pelo Visconde de Taunay, que nela participou como oficial. O coronel Carlos Camisão faleceu em 29 de maio de 1867, e foi enterrado às margens do rio Miranda, onde está o cenotáfio conhecido como Cemitério dos Heróis, no município de Jardim. A estátua o representa com a fisionomia da decisão, segurando em uma das mãos uma espada e na outra um mapa.

O tenente Antônio João morreu em 29 de dezembro de 1864, ao enfrentar as tropas paraguaias e opor-se à invasão do território brasileiro, quando comandava a Colônia Militar dos Dourados. A estátua mostra o momento da sua queda, alvejado pelo invasor, sacrificando sua vida em defesa do solo pátrio.

As alegorias sobre a Pátria, a Espada em funeral (ponta para baixo e o copo para a frente, sustentada por um corpo curvado e sobre ela apoiado, hoje depredada, sem o ornamento principal) e a História, são símbolos a perenizar a consciência do dever militar, a homenagem da Pátria aos que se sacrificaram em sua defesa e a eternização na História do reconhecimento aos seus heróis, que empunharam a espada na defesa do rincão mato-grossense e sucumbiram nessa missão.

Refletindo sobre a falta de valorização do monumento e o seu deslocamento na cidade de Dourados, em relação aos fatos do Conflito da Tríplice Aliança, somada às rememorações sediadas em municípios onde ocorreram episódios bélicos daquela guerra, proponho um amplo debate sobre a ideia de transferir os elementos de bronze para outros locais, concretizando o pensamento inicial de seu idealizador.

Faço a sugestão para a remoção da estátua do coronel Carlos Camisão para o 9º Batalhão de Engenharia de Combate, o Batalhão Carlos Camisão, localizado em Aquidauana, e até hoje sem uma estátua do seu herói. A estátua do tenente Antônio João seria destinada ao município de Ponta Porã, para ser instalada no começo da rua homônima, concretizando uma campanha surgida em 1921, conforme exponho em minha tese no Programa de Pós-graduação em História da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal da Grande Dourados, em cujo terreno poderia ser instalada a alegoria da História. A Espada, símbolo de uma Nação pesarosa pelos seus heróis falecidos, passaria a guarnecer a entrada do Cemitério dos Heróis, em Jardim, onde uma lápide tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional assinala o local onde os heroicos chefes da Retirada foram sepultados. E, na Praça Antônio Alves Duarte permaneceria, em nova base, a alegoria sobre a Pátria, lembrando aos admiradores do nosso solo pátrio, do qual Dourados é um lindo oásis, como cantado em seu hino.

Coronel R/1 do Exército Brasileiro