17/02/2012 17h31 - Atualizado em 17/02/2012 17h31

O Bispo de Cuiaba no arraial dos Pereiras

 

Alcodan *

A ultima parada da comitiva de D. Carlos Luís em busca de Campo Grande foi na fazenda de José Tomás da Cunha que ficava junto aos córregos Lagoa e Embiruçu, tributários do lendário Inhanduí, região esta localizada hodiernamente onde se encontra o atual Terminal de Transbordo do Aero Rancho, mais ou menos.

Terminado o almoço, na saída da comitiva; um foguete solitário explodiu no espaço ... logo depois, um outro rebentou , bem lá adiante! Soube-se mais tarde que eram os campo-grandenses avisando que estavam regiamentes preparados para recepcionar a caravana pastoral.

Quando a comitiva aproximou-se do início da descida do vale do córrego Segredo notou que , no cimo do outro lado do vale, um grupo de cavaleiros, formados em linha vertical, ladeavam os dois lados da entrada do lendário Arraial dos Pereiras, a histórica e já florescente Santo Antonio do Campo Grande .Era um espécie de guarda de honra dos vacarianos, todos com seus trajes mineiros e de Franca do Imperador, de um lado estava José Antonio Pereira e do outro, seu filho Antonio Luís, ambos fundadores de nossa feiticeira e sedutora metrópole.

Quando a carreta-carruagem, cedida pelo capitão Teixeira Muzzi a D. Carlos, na despedida da Fazenda Santa Rosa, se aproximava do agrupamento vacariano, José Antonio e seu filho Antonio Luis apearam e foram, chapéus nas mãos e contritos, em direção a D. Carlos que, por sua vez, desceu e foi recepcioná-los e após as reverencias e beijo do anel, D. Carlos, ladeado pelos fundadores de Campo Grande, como que passando em revista o grupamento, entrou no Arraial onde se encontrava quase toda a população dos Campos de Vacaria que se locomovera para a legendaria Rua Velha debaixo de salvas de foguetes, ronqueiras, aplausos e beija-mão ... e a emoção dos vacarianos era tão grande que logo seus olhos se tornaram brilhantes de contentamento e se marejaram de lágrimas de felicidade, contrição e fé ... era, nos altos da serra de Maracaju, final da tarde do dia 28 de setembro e dealbar da primavera morena de 1886!

Os fundadores de Campo Grande resaervaram , para acolher o bispo e seus auxiliares, a melhor residência morena, enfeitada de flores guirlandas, etc. eo prelado permaneceu no Arraial até a manhã de 04 de outubro celebrando missas, pregando, batizando , crismando , noivados encruados foram abençoados e legalizados e outros tantos casamentos e mais confissões e comunhões, escravos foram alforriados, enfim ,a Vacaria inteira, se ajoelhou fervorosamente diante do altar do amor e da caridade que a presença do bispo representava!

No dia 03 de outubro, domingo de rosário, D. Carlos, foi até a frugal igrejinha, a fim de ouvir os fiéis em confissão e, pouco antes do meio dia,celebrou missa e fez sua derradeira pregação, despedindo-se dos campo-grandenses, mostrando-lhes que em paz e unidos chegariam a ser o povo de maior futuro da província.Não havia sinos, usava-se um pedaço de ferro dependurado para a chamada dos fiéis, foi então de Jose Antonio encomendou de Corumbá o primeiro sino de bronze!

Assim, às 07,00 horas da manhã, do dia 04 de outubro, terminava a visita pastoral de DOM CARLOS LUÍS D’AMOUR, bispo de Cuiabá que , após, a benção , com sua comitiva começou a pervagar o caminho de volta para,finalmente, no dia 21 de outubro entrar na vila de Miranda, retornando no Alfa para o porto de Corumbá a fim de apanhar a embarcação para a sede da diocese, na vetusta e verde Cuiabá.

PS. Enquanto isso, em Dourados, o atual burgomestre,à guisa de ato cultural, continua sua obra maior de PANEM ET CIRCENSES!

... assim foi ... assim é ... assim será ...

o autor é advogado, poeta, cronista, ex-membro do Conselho Estadual de Cultura e detentor da medalha HEITOR MEDEIROS que se lhe foi outorgada pelo plenário da OAB/MS,unanimemente

 
 
 
 
 
 
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