27/01/2012 16h58 - Atualizado em 27/01/2012 16h58

A viagem do bispo

 

Alcodan *

No ano de 1886, o bispo de Cuiabá, D. Carlos Luís D’Amour, resolveu fazer uma visita pastoral a região meridional do Estado.D. Carlos era maranhense e, na época, contava menos de 50 anos de idade, conta-nos Paulo Coelho Machado em sua inigualável obra “A RUA VELHA”.

Assim é que, trazendo consigo, como seu secretário, o cônego Luiz Severiano da Luz que relatou, com minúcias, todos os passos da caminhada pastoral.Às l7,00 horas do dia 9 de agosto de 1886, aportava em Miranda o vapor Alpha ou Alfa. O bispo foi recepcionado calorosamente por diversas autoridades,entre eles , o padre Julião Urquia. Ai permaneceu até a manhã do dia 23, quando, a cavalo, partiu em busca de Nioaque que foi alcançado após passar por inúmeras Fazendas.

No dia 11, pela manhã,deixou Nioaque acompanhado de ilustre caravana e após atravessar o Urumbeva chegaram à Fazenda Boa Esperança, de propriedade do português Antonio Francisco Rodrigues Coelho ondde D. Carlos celebrou 14 casamentos, 22 batizados e 23 crismas.

Da Fazenda Boa Esperança o bispo D’Amour escolheu o caminho mais longo para alcançar Campo Grande, termo de sua peregrinação – 40 quilometros – pois que, desejava visitar maior número de Fazendas, o itinerário mais curto seria , tão só, de 26 quilometros. O périplo pastoral de D. Carlos prosseguiu normalmente até alcançar a histórica Fazenda Santa Rosa, à margem do Rio Brilhante,do coronel João Caetano Teixeira Muzzi. Teixeira Muzzi era mineiro e pertencera ao 17º de Voluntários da Patria, de Ouro Preto,fazendo parte da invasão do território guarani através de Bela Vista, participando, pois da Retirada da Laguna .

Após as habituais cerimônias, D. Carlos, teve `a sua disposição uma carreta puxada por quatro bestas, na qual o bispo fez o restante do trajeto até o lendário Arraial dos Pereiras. A comitiva alcançou então a Fazenda Passatempo, de Joaquim Gonçalves Barbosa Marques – primeiro BARBOSA nascido na Vacaria – e ai celebrou o casamento de Marcelino José Pires Martins com dona Eulalia Ferreira Garcia, neta de dona Luísa Garcia Leal irmã de Jose Garcia Leal, fundador de Paranaíba.

Os vacarianos, ofereceram à D. Carlos, como lembrança de sua visita , um cálice de ouro cravejado de ametistas, sendo saudado pelo coronel Teixeira Muzzi.

No início da primavera de 1886 – 28 de setembro - o prelado e sua comitiva chegaram à Campo Grande, povoado que possuía uma única rua, sendo recebido com entusiasmado fervor e reverencia, permanecendo no local até o dia 04 de outubro quando encetou sua caminhada de retorno e a 21, entraram na Vila de Miranda, retornando no Alfa para o porto de Corumbá deixando em pós de si um hino de paz, um cântico de fé e um salmo de fraternidade, amor e esperança!

PS. Interessante frisar que nos escritos minuciosos do cônego Bento Severiano da Luz não há nenhuma menção sobre a existência de Dourados o que se nos faz presumir que este ainda não havia sido fundado!...

... assim foi ... assim é ... assim será ...

O autor é advogado, poeta, cronista e ex-membro do Conselho estadual de Cultura e detentor da medalha HEITOR MEDEIROS que se foi outorgada pelo Conselho da OAB/MS,unanimemente.


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