Agressões Psicológicas - Do bullying ao Assédio Moral

Cristina Mussury*

Em pleno século XXI ainda vivenciamos as mais diversas formas de agressões psicológicas, que coloca o indivíduo, muitas vezes, em profundo estado de vulnerabilidade e entre essas agressões estão o bullying e o assédio moral.

Os conceitos de bullying e assédio moral são parecidos. No entanto o bullying ocorre entre jovens, mais usual em ambiente estudantil e o assédio moral em relações trabalhistas.

O termo bullying é utilizado para qualificar comportamentos agressivos nas escolas, já o assédio moral é uma conduta abusiva, intencional, que tem como objetivo humilhar e destruir psicologicamente uma pessoa, geralmente ocorre entre diferentes níveis hierárquicos. Ambos os casos são considerados comportamentos doentios. Algumas pesquisas apontam que a grande possibilidade de crianças e adolescentes que praticam bullying na vida escolar vir a praticar diferentes tipos de assédio ao longo da vida.

Na fase adulta, com a possibilidade de escolha, buscamos nos relacionar em ambientes saudáveis, que implique na liberdade para se comunicar. Hoje, uma das principais exigências para o exercício das relações humanas é certamente a habilidade de comunicação.

Mas apesar da crescente importância atribuída à comunicação, muitas são as barreiras a um livre fluxo de idéias e opiniões. Um dessas barreiras está na forma como se conduz o processo de comunicação, criando uma atmosfera negativa, utilizando-a de forma perversiva para atingir objetivo.

Esse tema é bastante interessante e foi escolhido para referenciar o meu estudo durante o curso de especialização.

Nos ambientes organizacionais vivenciamos também essa atmosfera, é o que denominamos de assedio moral, definido como toda e qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente, por sua repetição ou sistematização, contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho. Como não é só a palavra que comunica, na convivência diária entre as pessoas, o assédio moral tem comunicações não-verbais, tão poderosas quanto às palavras malditas: silêncios, olhares de desprezo, de desconfiança, etc. que, tomados separadamente, podem parecer inofensivos, mas cuja repetição e sistematização os tornam destruidores.

Uma agressão verbal pontual, a menos que tenha sido precedida de múltiplas pequenas agressões, é um ato de violência, mas não é assedio moral, enquanto que reprimendas constantes o são, sobretudo se acompanhadas de outras injúrias para desqualificar a pessoa.

Com a desculpa de manter a organização competitiva, tudo parece ser permitido: exigências em excesso, sobrecarga de tarefas, horários prolongados, urgências sem critérios, tensão e estresse. E como nada é explicado - tudo fica subentendido, restando à insegurança psicológica como a única certeza.

Importante ressaltar a responsabilidade dos dirigentes das organizações em prestar atenção às mudanças na sociedade e antecipar-se a um modelo diferente de relacionamento. A auto-estima dos trabalhadores, o sentimento de identidade com a organização, a responsabilidade com o trabalho, a produtividade e a competitividade, entre outros indicadores, com certeza, não são estimulados por uma comunicação interna que os desprezem ou subestimem.

A autora é servidora pública municipal, professora, bacharel em Comunicação Social habilitada em Relações Públicas e pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos.

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