A estrada do Potreirito: esbulho e usurpação

Por: José Alberto Vasconcellos - 12/08/2017 07h00

Conheço bem a "Linha do Potreirito", onde tenho um sítio, o "Santa Paula", há 33 anos. Conheço sobejamente a região e muito mais, a dita estrada.

Nos mais de 40 anos que escrevo para os jornais: Folha de Dourados e O Progresso, sempre entendi que é inarredável a obrigação de quem escreve, expondo sua opinião, DIZER A VERDADE, não se importando com o tamanho.

Pela lei municipal de Dourados nº 2.539, de 23 de dezembro de 2002, promulgada pelo então prefeito LAERTE TETILA, ficou assentado, por força dessa lei, que transcrevemos integralmente, a seguir: "LEI Nº 2.539, DE 23 DE DEZEMBRO DE 2002. – "Dispõe sobre denominação de rua do Município."- O PREFEITO MUNICIPAL DE DOURADOS, Estado de Mato Grosso do Sul, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei Orgânica do Município, faz saber que a Câmara Municipal aprovou e ele sanciona a seguinte Lei: - Denomina ALCIDES JOSÉ DE MACEDO, a estrada vicinal a partir da Av. Marcelino Pires, em frente a "Baggio Madeira", até a Rua Tubarão no Jóquei Clube, nesta cidade. – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.- Dourados, 23 de dezembro de 2002.- (ass.) José Laerte Cecílio Tetila. Prefeito." – (cic)

O saudoso homenageado ALCIDES JOSÉ DE MACEDO, era padeiro, morava e tinha uma padaria na Linha do Potreirito, a pouca distância do hoje trevo da BR 163. Essa estrada, antigamente, dava acesso à Vila Brasil, hoje, Fátima do Sul.

Com o tempo, a Estrada do Potreirito com início na Av. Marcelino Pires, passou a servir muitos moradores, com o avanço do Parque das Nações II Plano. Sempre foi muito útil aos agricultores, produtores de leite e a muitos pequenos proprietários, dentre eles muitos que pegavam soro Laticínio Camby, para seus porcos. Como prefeito, Humberto Teixeira alargou e cascalhou aquele trecho.

ALCIDES JOSÉ DE MACEDO, enquanto viveu, trabalhou na sua padaria que atendia toda aquela região. Vários membros da sua família, até hoje ainda moram lá. A família sentiu-se sobremaneira honrada, na ocasião, em que a Câmara Municipal, reconhecendo o trabalho do "velho Alcides", colocou seu nome na rua onde ele viveu e trabalhou, (Lei n. 2.539, de 23-12-2002, sancionada pelo prefeito Tetila).

A "Estrada do Potreirito" sempre nasceu na Av. Marcelino Pires, conforme nos atesta o texto da Lei n.2539/02, acima transcrita. Referida via, nascendo na Av. Marc. Pires, cruza a BR-163 e passa pelo Jardim Jóquei Clube, seguindo para Fátima do Sul.

Durante a gestão do prefeito Laerte Tetila, além da promulgação da Lei 2.539/02, ocorreu o ESBULHO de parte dessa via pública (a Linha do Potreirito), quando o ex-prefeito JOSE ELIAS MOREIRA, apossou-se de uma parte da estrada, no trecho entre o Almoxarifado da Enersul e a Avenida Marcelino Pires.

Na oportunidade, além da comunicação feita diretamente ao prefeito Tetila, cerca de dez proprietários dirigiram-se ao Ministério Público Estadual, localizado à Av. Presidente Vargas, entre a Av. Joaquim T. Alves e Rua Onofre Pereira e, ao procurador Alencar (salvo engano, Dr. JOSE Antônio Alencar), registraram a queixa do esbulho da via pública. Um processamento foi aberto e ENGAVETADO, para nunca mais ressurgir. Posteriormente, o esbulho com todos detalhes foi publicado no livro deste autor "A Testemunha da Lembrança"; livro que foi entreguei ao promotor (o sósia do Bonner, da Globo), com o pedido de providências. É de acreditar-se que ele nem abriu o tal livro!

O sr. JOSE ELIAS MOREIRA, praticado o esbulho com a maior cara de pau, mantém-se tranqüilo, implantando uma vila no local. Tudo acontece, pela omissão do prefeito Tetila e seus sucessores, e a inoperância do Ministério Público Estadual, costumes que vem de um tempo em que ainda não tínhamos o exemplo que nos tem dado, o juiz federal Sérgio Moro, da Lava-Jato.

Não bastasse o ex-prefeito JOSE ELIAS esbulhar parte da via pública, denominada rua ALCIDES JOSÉ DE MACEDO, agora prevaricadores, passando por cima da LEI MUNICIPAL N.2.539, DE 23-12-2002, tentam trocar o nome do homenageado, dando àquela via o nome da senhora Gelcy Maria Teixeira Marcondes, que foi casada com o também saudoso médico Coronel Marcondes, ex-componente da FEB, "cassando" a homenagem concedida por merecimento, ao velho Alcides.

Temos de reconhecer, a propósito, o desrespeito que se faz à memória da saudosa dona Gelcy Maria Teixeira Marcondes, mãe de uma prole com formação superior, que nos deixou uma lição de vida e um legado de comportamento. Por sua formação e caráter nunca desejaria, em quaisquer circunstâncias, usurpar o nome de alguém em benefício próprio. A tentada usurpação é uma ofensa à sua memória. Ela sempre acreditou em Deus, acreditou nos seus mandamentos e na solidariedade humana.

Membro da Academia Douradense de Letras. (josealbertovasco@yahoo.com.br)