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Editorial

Saúde brasileira na UTI

30 Jun 2018 - 07h00
A área de saúde no Brasil continua cada vez pior. Os indicativos de uma pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Medicina mostram que a população está quase que totalmente descontente em relação ao que está implementado no País em relação ao tema. O levantamento revela que 89% das pessoas ouvidas classificaram a saúde pública ou privada como péssima, ruim ou regular. Essa avaliação é compartilhada por 94% dos que possuem plano de saúde e por 87% dos que dependem do Sistema Único de Saúde. A amostra, composta por homens e mulheres com idade superior a 16 anos, respondeu a um questionário estruturado, que perguntou, também, sobre a expectativa dos brasileiros acerca da atuação dos próximos governantes e parlamentares em relação à assistência médica. Essa situação coloca a saúde brasileira na UTI. No entendimento dos entrevistados, os políticos que vencerem o pleito deste ano devem adotar medidas que combatam a corrupção na área da saúde (26%); reduzam o tempo de espera por consultas, exames, cirurgias e outros procedimentos (18%); aperfeiçoem a fiscalização dos serviços na rede pública (13%); fomentem a construção de mais postos e hospitais (11%); e garantam melhores condições de trabalho e de remuneração para médicos e outros profissionais da área (9%). Outro aspecto abordado pela pesquisa do Conselho Federal de Medicina está diz respeito ao tempo de espera, que obteve a avaliação mais negativa do SUS. Na realidade, o item é apontado como maior gargalo na rede pública para 82% dos entrevistados que buscam consulta, 80% dos que precisam de um exame de imagem e para 79% dos que aguardam cirurgia. Entre os itens com maior dificuldade de acesso na rede pública estão: consultas com médicos especialistas (74%); cirurgias (68%); internação em leitos de UTI (64%); exames de imagem (63%); atendimento com profissionais não médicos, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas (59%); e procedimentos específicos como diálises, quimioterapia e radioterapia (58%). Durante a aplicação da pesquisa também ficou evidente a falta de recursos financeiros para o Sistema Único de Saúde (15%) e a má gestão administrativa e operacional do sistema (12%) são vistos como os principais empecilhos para um bom atendimento. Outras questões como a falta de médicos (10%) e a dificuldade para marcar ou agendar consultas, cirurgias e procedimentos (10%) completam o topo do ranking. De acordo com o estudo, 83% das pessoas ouvidas acreditam que os recursos públicos não são bem administrados; 73%, que o atendimento não é igual para todos; e 62%, que o SUS não tem gestores eficientes e bem preparados. Entre os 14 serviços disponíveis em postos e hospitais analisados pelo estudo, 11 foram alvos de críticas. Para não dizer que tudo é ruim, foram registradas avaliações positivas para os serviços de vacina, já que (87%) consideram fácil ou muito fácil). Em relação aos exames laboratoriais não foi diferente, com (65%) de aprovação. Em relação ao atendimento nos posto de saúde e acesso a remédios distribuídos pela rede pública, a aprovação cai para 62%. Embora a reclamação tenha sido a tônica da pesquisa, os entrevistados afirmaram que o Sistema Único de Saúde deve ser valorizado como política social relevante. Os números mostram que, para 88% dos entrevistados, o sistema deve ser mantido no país como modelo de assistência de acesso universal, integral e gratuito para brasileiros, conforme previsto em seus princípios e diretrizes legais. Vale ressaltar que recentemente o Conselho Federal de Medicina, durante encontro realizado em Campo Grande (MS) fez um mapeamento da saúde envolvendo 122 municípios brasileiros que fazem fronteira com outros países não possui nenhum leito de internação disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, 93% deles não contam com leitos em Unidade de Terapia Intensiva. Nessas cidades, também é baixa a oferta de estabelecimentos e de profissionais de saúde na rede pública, e, de forma geral, é alta a incidência de doenças infectocontagiosas. Nesse aspecto, alguns municípios de Mato Grosso do Sul estão nessa lista de carências e que acaba refletindo diretamente no atendimento da população.

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