DOURADOS – A CPI da Câmara Municipal que apura contratos de licitação da atual administração e dos últimos dois anos do governo do ex-prefeito Laerte Tetila deve se encerrar nos próximos 20 dias sem dar respostas sobre a finalidade da sua instalação. Tudo porque, segundo o presidente da CPI, vereador Dirceu Longhi (PT), a Prefeitura "tem dificultado o andamento da Comissão". Instalada em 19 de abril, a CPI tinha 60 dias para apurar supostas irregularidades de denúncias de mau uso do dinheiro público no setor da saúde. Essa constatação parte de denúncias durante investigações da Operação Owari, que depois de um ano não deu em nada. Como a CPI poderia ser prorrogada por mais dois meses, Dirceu Longhi tratou então de ampliar o prazo de apurações, que vai até o final deste mês de agosto. Segundo ele, o que tem emperrado definir se há ou não irregularidades no uso do dinheiro público deve-se às respostas "insatisfatórias" fornecidas pela Secretaria de Saúde de Dourados. "Cerca de 70% do que solicitamos foi encaminhado de forma irregular, ou seja, sem fundamento para identificar algum tipo de irregularidade", disse o presidente da CPI. Dirceu é o próprio autor da instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito. Compõe ainda a CPI os vereadores Humberto Teixeira Júnior (PDT) e Júlio Artuzi (PRB). Dirceu considera ser um "erro grave" o fato de encaminhar informações infundadas à Comissão. Hoje, quando a Câmara volta do recesso parlamentar, ele irá se reunir com as assessorias jurídica e contabilista para dar um parecer sobre os documentos enviados até agora pela Secretaria de Saúde. A partir daí, segundo o vereador, é que poderá ter uma definição sobre o desfecho da CPI. Mesmo se não atingir o real objetivo – apurar informações – o presidente da Comissão avalia que somente o fato de ter sido instalada "já valeu a pena".
OUTRO LADO As críticas de "informações insatisfatórias" dadas pelo vereador Dirceu são rebatidas pelo secretário de saúde Mário Eduardo Rocha. "Tudo o que eles nos pediram foi repassado, não omitimos nada", afirma o secretário. Na sua avaliação "falta competência técnica da Câmara para apurar os documentos e verificar se há algum tipo de irregularidade". Mário Eduardo diz que está a disposição para responder novos requerimentos, caso a Comissão tenha interesse de obter mais informações. Como o prazo da CPI está se esgotando dificilmente será possível levantar o "raio-X" da gestão administrativa da saúde pública.
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