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Opinião
Até onde vai o limite de Deus?
2.Ago.2010 | Benê Cantelli*

Deus, por sua essência, é sem limites. Contudo, a expressão que apresentamos no título dessa matéria é no sentido de entendermos o limite de Deus para com o ser humano.
Se fixarmos nosso entendimento sobre as relações que envolveram a vida do homem com seu Criador, podemos perceber que é uma relação um tanto quanto desgastada em sua própria origem. Cria-se o homem e a ele é dado um mandamento: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás". Gn 2,17
Todos nós sabemos o que aconteceu. Além da própria culpa, o homem joga sobre o restante da humanidade, vindoura, a pena que nos faria sofredores, amargurados, impotentes diante de nós mesmos e de nossas carências e limitações. Este foi o preço: pena coletiva para uma culpa individual.
Não bastasse nossa fragilidade, Deus permitiu que os anjos "caídos" atormentassem nossa vida de tal forma que não se satisfazem apenas em derrubar-nos, senão que seu mister é fazer com que percamos a visão de Deus como filhos, já que eles nunca o forame e jamais remidos.Um velho índio do noroeste americano falando aos mais jovens disse: Dentro de nós temos dois cachorros. Um extremamente bravio e outro delicadamente manso. Saber qual dos dois dominará nosso temperamento e sentimentos é questão de saber qual dos dois alimentaremos mais.
Assim somos nós. De um lado somos levados a agir pelo bem e, outras vezes, pelo mal. Deus coloca anjos seus, chamados anjos da guarda, para nos proteger, pois sabe que não suportamos os achaques do inimigo, tamanha sua competência e tamanha nossa fragilidade. Seria luta inglória, não fosse a benevolência e magnanimidade divinas.
Pergunta-se como um ser humano (seria humano mesmo) tem capacidade para matar, inclusive, por motivos banais e torpes? Chamamos de animais, por não serem racionais, aqueles que matam tão somente para sobreviver ou manter seu território sexual, preservando o melhor de sua espécie?
Os crimes que ficaram estampados em todos os meios de comunicação, tanto os de São Paulo (advogada), quanto em Minas (modelo) e também o acontecido em Campo Grande (arquiteta), são de tamanha aberração que chocariam os mais ferozes animais.
No histórico da origem da humanidade o fratricídio cometido por Caim sobre Abel, abre as cortinas do cenário teatral em que se demonstrava algumas características, qualidades e defeitos (Abel com o melhor para o Senhor) e Caim (dominado pela inveja, sem ao menos tentar fazer o mesmo que o irmão), deixavam claro que Deus em sua onipotência estaria fazendo o melhor de sua criação, não obstante, o homem, por haver recebido do mesmo Deus o dom do livre arbítrio, colocaria não só em cheque a obra divina senão que faria o próprio Criador arrepender-se de sua criação: "Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração". Gn 6:6
Vejo que no coração de Deus as guerras que foram levantadas por causa do seu nome, algumas delas como as Cruzadas que demoraram mais de 100 anos, e outras que se multiplicam, hoje, nas hostes ferinas de algumas denominações religiosas em plena afronta à Palavra biblica que diz, claramente: "Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam", Rom 10, demonstram que o tal cachorro bravio está muito mais alimentado, em plena discordância com o Criador que é Amor em toda sua dimensao.
Nao creio que o limite de Deus exceda ao limite de sua Justiça por maior que seja sua misericórdia. Entao, é conveniente que saibamos amar mais do que julgar, que saibamos perdoar mais do que apregoar. E, mais importante de tudo é compreendermos, finalmente, que é conveniente e, muitas vezes, oportuno falarmos de Deus, porém, é muito melhor falarmos com Deus.
Bom dia. Melhor semana.

*Professor. E-mail: cantelli@terra.com.br
 
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