Talvez seja mais por conta de uma campanha política recém-iniciada, mas nunca esteve mais na moda do que agora se falar em Inclusão Social. Em artigo de jornais, Marcos Cintra, um brilhante economista brasileiro – aquele defensor do Imposto Único – questiona o governo pela maneira com que distribui mais de 10 bilhões ao ano aos carentes na forma de doações diversas sem contrapartida: Bolsa Família e demais Auxílios. Entende ele, pelo que se depreende, o governo deveria exigir de quem recebe essa ajuda um comprometimento para se incluir na sociedade produtiva. Marcos Cintra sabe que existem, sim, na teoria algumas exigências para a continuidade no recebimento dessas ajudas do governo. Existem, mas na verdade nunca são cobradas dos beneficiários. É a velha e incapaz burocracia estatal que realmente não corre atrás de fiscalizar e cobrar as exigências legais. As formas de se fazer a inclusão social de um indivíduo são tantas e tão variadas que fica difícil de simplesmente listá-las. Usar os esportes coletivos, como o futebol, ou estimular bons hábitos como o da leitura, por exemplo, são ótimas atividades especialmente para os bem jovens. Mas por que não uma ênfase maior com a música? O Brasil é hoje mundialmente conhecido não somente por suas commodities e seu futebol, mas por sua música também. Numa viagem ao exterior ao encontrar uma pessoa mais intelectualizada fale de Tom Jobim, ou fale da Bossa Nova e verás que nossa música – por favor, inclua nesse rol nosso Carnaval – está, há muitos e muitos anos, divulgando muito bem nosso país. Estimular o gosto pela música, além de ser uma boa forma de promover a inclusão social ainda abriria novas oportunidades de bons empregos, como também reforçaria nossa identidade mundial. João Carlos Martins, músico e maestro brasileiro, hoje regente da Filarmônica Bachiana, num artigo na Folha de S.Paulo, diz que foi convidado para formar o júri no 17º Concurso de piano em Leipzig, Alemanha, na mesma semana que quatro países sul-americanos se classificavam para disputar as finais da Copa do Mundo. Nenhum sul-americano havia nos 350 candidatos inscritos para interpretar músicas de Bach no Concurso em Leipzig, mas uma grande parte dos inscritos era composta por asiáticos. Aliás, diz ele, nos países asiáticos mais desenvolvidos, a música ocupa o 1º lugar na Inclusão Social, enquanto que aqui no Hemisfério Sul tem pouca ênfase. Uma pena, mas é compreensível. A grande maioria dos nossos atuais dirigentes políticos teve pouca educação musical em sua juventude. Infelizmente sou um exemplo disso. Quando jovem praticamente a única maneira de ouvir e exercitar a musicalidade era através do Rádio, mas bem usado somente para ouvir o Repórter Esso, única maneira de saber notícias instantâneas. Músicas, para ser franco, poucas e raras modinhas caipiras. Talvez esteja nisso a falta de bons incentivos à educação musical hoje: os que deveriam lutar por ela agora não a priorizam porque não criaram o gosto por ela. Hoje há mais facilidades. Está à disposição dos jovens tudo o que é necessário para receberem uma boa educação musical. Comparando com o futebol que ao longo dos cem anos de sua prática pouco ou quase nada melhorou – a não ser pela nova bola, a Jabulani – a tecnologia na forma de se fazer e divulgar a música cresceu extraordinariamente muito mais. Falta, então, usá-la mais na Inclusão Social.
*Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
Copyright Progresso. Todos os direitos reservados. É
proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso,
sem autorização escrita da Progresso.