5.Dez.2009 |
A Organização Não-Governamental Transparência Municipal acaba de concluir um estudo onde aponta que dos 5.563 prefeitos eleitos em 2008 e que tomaram posse na última quinta-feira, exatos 514, ou 9,24%, não concluíram nem mesmo o Ensino Fundamental. É uma lástima! Ainda que a maioria dos prefeitos nesta situação tenha assumido o comando de prefeituras de municípios com até 5 mil habitantes, existem cidades de porte muito maior onde a falta de escolaridade possa ser impedimento para a realização de um governo plural, que atenda as necessidades de todas as classes sociais e que, principalmente, promova o desenvolvimento dos municípios. É evidente que escolaridade alta não seja pressuposto para governos de excelência, mesmo porque o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, não concluiu o Ensino Fundamental e, nem por isto, está fracassando na condição de uma Nação de dimensões continentais, mas é inegável que a capacitação profissional e intelectual são fundamentais para a realização de um trabalho de excelência, seja na vida pública ou privada. A boa notícia é que enquanto 9,24% dos prefeitos empossados não concluíram nem o Ensino Fundamental, exatos 43,93% dos novos governantes tem curso superior e, mais importante, em todas as capitais brasileiras, os prefeitos empossados passaram pelo crivo das universidades. Apesar de o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva desdenhar daqueles que entendem que todo administrador público deve ter formação superior, o Brasil estaria melhor, menos corrupto e mais evoluído se a sociedade escolhesse melhor aqueles que vão representá-la no poder. Ora, se qualquer pessoa que busca colocação no mercado de trabalho precisa comprovar escolaridade que vai do Ensino Fundamental para cargos de serviços gerais e braçais; Ensino Médio, para contínuos ou técnicos e Ensino Superior, Mestrados e Dourados para cargos mais importantes, sobretudo os de comando, por que não exigir o mesmo dos políticos? Nos Departamentos de Pessoal, onde as normas de Recursos Humanos (RH) são atualizadas, os candidatos são submetidos até a testes psicotécnicos, que avaliam se eles têm ou não aptidão intelectual para o cargo que disputam, enquanto na vida pública qualquer um que saiba rabiscar o nome, pode disputar o cargo que bem entender. Se na vida particular exige-se tanto das pessoas, por que na vida pública a seleção dos candidatos aos cargos eletivos não passa por rigor semelhante? Se o mercado de trabalho é tão exigente com os profissionais, seria natural que a sociedade fizesse o mesmo com aqueles que se candidatam para ocupar cargos que são pagos com o dinheiro público. Enquanto isto, pessoas que passam cinco, seis anos, estudando sofrem para conseguir um emprego, muitos políticos semianalfabetos amealham fortunas no exercício do cargo. O assunto já foi abordado neste mesmo espaço editorial, mas é inegável que esta situação remete para a necessidade de se promover uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Não se pode classificar como normal o fato de um candidato sem qualquer capacitação profissional disputar um cargo eletivo e, investido de poder, assumir a responsabilidade de criar leis que vão regulamentar o cotidiano das pessoas. Um candidato, independente do cargo que for disputar, deveria comprovar capacitação, além de provar que tem equilíbrio psicológico para servir o público. Ainda que a democracia garanta o direito de qualquer pessoa alfabetizada se candidatar a qualquer cargo, o país deveria promover uma reforma política instituindo escolaridade para cada nível de cargo eletivo. Desta forma, para ser vereador, o candidato deveria ter concluído, no mínimo, o Ensino Fundamental e para disputar uma cadeira na Assembléia Legislativa, Câmara Federal ou Senado, o candidato deveria ter concluído o curso superior. Já para os cargos Executivos, como prefeito ou governador, além da formação acadêmica, deveria ser exigido mestrado em alguma área da Administração, enquanto para presidente da República deveria ser exigido formação superior e doutorado. É preciso reconhecer, no entanto, que muitos não tiveram oportunidade de estudar, de ampliar conhecimentos e conhecer novos horizontes. Da mesma forma, é preciso reconhecer que a capacidade intelectual de muitos indivíduos superam, com folga, qualquer conhecimento repassado pelos bancos acadêmicos.
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