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Incógnita
Cracolândia é uma realidade nua e crua
Consumo e venda de drogas e sexo a céu aberto são uma rotina normal em uma das áreas nobres de Dourados
25.Mar.2008 | Marcelo Humberto

DOURADOS - A prostituição infantil, venda e consumo de drogas são uma rotina normal da ?cracolândia?, em pleno centro da cidade. Para os moradores da região da Rua Onofre Pereira de Matos/Joaquim Teixeira Alves e Melvin Jones, é um problema que precisa urgentemente ser banido.
O PROGRESSO, que constantemente recebe denúncias de moradores pedindo providências,esteve ontem à tarde no local e constatou que o terreno baldio é ponto de prostituição, consumo de drogas e os usuários chegam a invadir empresas próximas. Quem passa pelo local é alvo de roubos, como aconteceu com uma mulher de 30 anos, moradora no Parque Alvorada, quando dois desconhecidos roubaram-lhe a bolsa.
As autoridades policiais têm conhecimento da ação dos freqüentadores e do perigo da região, assim como o Ministério Público. Pelo menos foi isso que os moradores disseram quando viram a reportagem no local.
O PROGRESSO constatou que no local existem dezenas de preservativos usados, mostrando que o local é um motel a céu aberto; vários envelopes de remédios Polibiotic Metronidazol jogados em um estacionamento abandonado, além de lata de refrigerante, usada para o consumo de crack ou da ?merla? como também são conhecidas.
No domingo, travestis e prostitutas foram vistas no período da tarde se drogando no quintal abandonado da ?cracolândia?. Dois travestis pularam o muro de uma empresa de seguradora e entraram na mesma. Era visível o estado de transe de um deles devido ao consumo da droga.
Um dos moradores da região, que pediu anonimato, disse que para eles que convivem diariamente com a ação, se tornou normal.
"É comum, após as 17h, começar o movimento de travestis na região", disse destacando ainda que alguns vão até a frente de uma igreja na Rua Onfre Pereira de Matos se prostituírem e drogarem.
Segundo informações apuradas pela reportagem, alguns dos travestis e prostitutas que fazem ponto na região são menores de idade, entre 14 e 15 anos.
Na realidade, o lema de quem trabalha ou mora na região é o seguinte: um olho no trabalho e o outro na rua.
Rodrigo Brunetto, que trabalha na seguradora que constantemente é invadida, presenciou a ação de policiais. "Mas é assim: eles prendem e em questão de minuto eles retornam com a rotina normal e como se nada tivesse acontecido. É só a polícia sair que eles retornam", disse ele que já evitou roubos em frente a empresa que trabalha.
Segundo os moradores, a polícia constantemente está passando pelo local. Mas para eles, isso não é o suficiente. "É necessário que as autoridades se comprometam e façam algo para coibir a prostituição e o consumo de drogas a céu aberto", disse o morador, destacando que já houve caso da polícia passar no local e presenciar casal dentro do carro praticando sexo e saírem como se nada estivesse acontecendo.
Segundo os moradores, nos finais de semana, a movimentação começa no final da tarde e se estende até por volta das 7h do outro dia.
 
 
   
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