"Jornal O PROGRESSO é parte integrante da cidade", diz Neuza Amaral

Por: Marcos Morandi - 20/04/2017 08h30

 
Neuza destaca a importância do Jornal ao relembrar fatos históricos da cidade (Foto: Marcos Ribeiro) Neuza destaca a importância do Jornal ao relembrar fatos históricos da cidade (Foto: Marcos Ribeiro)

A história do Jornal O PROGRESSO é profundamente ligada ao desenvolvimento de Dourados. No entendimento da professora Neuza Amaral, que acompanha o veículo desde quando era semanário, muitos acontecimentos da cidade estão registrados em suas páginas com fidedignidade. "O Jornal O PROGRESSO é parte integrante da cidade. Posso dizer isso porque vi as primeiras impressões bem de perto", conta a professora.

Filha do ex-prefeito Antonio de Carvalho, também conhecido como "Carvalinho", Neuza foi casada com Celso Amaral, irmão da diretora-presidente do jornal O PROGRESSO, Adiles do Amaral Torres. Ela ressalta a importância do jornal para o desenvolvimento da cidade. "Da mesma forma que acompanhei a fundação do jornal, praticamente participei da criação do município. Eu vivenciei muitos acontecimentos em Dourados", relata a professora.

Além das transformações decorrentes do desenvolvimento econômico da cidade, Neuza também presenciou mudanças de comportamento na sociedade douradense. Ela tem boas recordações de quando começou a funcionar a linha telegráfica. "Papai tinha uma aproximação com o marechal Cândido Rondon. Ouvia muitas histórias dele", conta, relembrando também, da inauguração da usina que trouxe energia elétrica para o município.

A respeito do trabalho do pai-prefeito, Neuza revela que naquela época a disputa política era muito mais acirrada. Segundo ela, algumas obras eram feitas durante o dia e destruídas à noite. "Na Praça Antonio João existia um campo de futebol. Por várias vezes tentaram cercar o local, mas não conseguiam", explica. As árvores que estão no canteiro da Avenida Presidente Vargas, em frente ao Jornal O PROGRESSO, foram plantadas durante a administração de Carvalinho.

Naquele tempo, com relação à vida social da cidade, tudo praticamente se resumia aos memoráveis bailes do "puxa faca", um salão que funcionava na Avenida Marcelino Pires, esquina com a Rua João Rosa Góes. "Era uma grande casa de madeira onde os rapazes e as meninas se reuniam. Os bailes aconteciam nos finais de semana e também nos feriados. Tudo era motivo prá comemoração", diz a professora. Segundo ela, o piso do salão era de tijolo e, como as ruas eram sem asfalto, "quando chovia e as pessoas começavam a dançar, o barro secando virava uma poeira só". Em seguida, surgiu o Clube Social, construído na Rua Joaquim Teixeira Alves, bem do lado do prédio onde funciona a Agência do Banco do Brasil e que representou um novo momento para a cidade.

"Me sinto orgulhosa em dizer que fiz parte da construção de Dourados. Tudo que existe hoje na cidade teve início naquela época. Foi um tempo em que as pessoas já acreditavam que Dourados seria muito importante para o desenvolvimento do Estado. Se as universidades existem hoje é porque tinha gente que acreditava na educação como forma de impulsionar o desenvolvimento local", explica. Conforme a professora, o terreno onde hoje funciona a reitoria da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) foi doado por família, que também cedeu uma parte da área onde hoje está instalado o campus da UFGD.