Mito e traições sepultaram os ideais dos divisionistas

Difundiu-se um mito, talvez pela parca documentação a respeito, de que Ernesto Geisel pretendia que o Estado de Mato Grosso do Sul

Por: Jardel Barcellos - 01/10/2016

Livro é resultado de motivações como tentar superar certos mitos, dirimir certas dúvidas. Livro é resultado de motivações como tentar superar certos mitos, dirimir certas dúvidas.

Este livro está sendo publicado 35 anos após a efetiva instalação de Mato Grosso do Sul. Muitos sul-mato-grossenses eram crianças ou não haviam nascido quando da sua criação. Daí ser importante trazer ao seu conhecimento episódios e fatos marcantes ocorridos quando dos primeiros anos de vida do nosso Estado. Difundiu-se um mito, talvez pela parca documentação a respeito, de que o presidente Ernesto Geisel pretendia que o Estado de Mato Grosso do Sul constituísse modelo para outras unidades da Federação que viessem a ser criados.

Essa foi uma versão cunhada pela mídia na época. A partir daí e confundindo (intencionalmente?) a cronologia dos eventos, alguns textos posteriores, minimizando o que foi implantado em 01 de janeiro de 1979 – uma inédita estrutura organizacional, inclusive dotada de procedimentos democráticos de planejamento participativo – afirmaram que o novo Estado, tão logo empossado o primeiro governante nomeado, tudo o que se pretendia fazer ou implantar não passara de mera retórica, haja vista a prática tradicional efetivamente adotada pelos dirigentes. Uma traição aos desígnios divisionistas que pretendiam, como se dizia, algo muito distinto daquilo que vigorava nas instituições do governo de Cuiabá.

Tais textos, ao não precisarem as datas dos eventos, acabaram por distorcer ou confundir os fatos. Na realidade histórica, a traição se verificou a partir do segundo governo instalado em julho de 1979. Nesse momento foi então alterado o modelo inédito de organização administrativa instituído seis meses antes ao ser efetivado o Estado criado, sendo substituído por um padrão convencional mais apropriado a um modo patrimonialista de governar.

Motivações e homenagem

Este livro é resultado de três motivações: contribuir para a memória da criação e dos primeiros momentos da vida efetivado Estado; tentar superar certos mitos, dirimir certas dúvidas e exercitar a defesa do primeiro governo de MS, tendo em vista certas inverdades difundidas por alguns autores e pela mídia da época, aliados a adversários políticos; e difundir o que se pretendeu para MS, com sua estrutura e organização racionais e de procedimentos voltados democraticamente ao desenvolvimento institucional e social, portanto não apenas econômico. Por fim, deixo também aqui firmada minha homenagem póstuma ao grande técnico, mas também político com P maiúsculo, honrado, decidido, audacioso, tenaz e simpático governador Harry Amorim Costa. *Texto compilado do livro do autor, Utopia X Realidade – Mato Grosso do Sul 1978-1979