24/01/2012 20h24 - Atualizado em 25/01/2012 06h24

Vidas banais

 

Os últimos acontecimentos registrados na região da Grande Dourados onde além de uma chacina em Itaporã, dois irmãos de Rio Brilhante foram mortos no domingo a noite em uma festa, nos leva a diversas reflexões: a principal delas sobre a banalidade. Ela surge quando alguém com instinto assassino procura motivos para assassinar, cometer crimes covardes sem nenhuma chance de defesa para suas vitimas, geralmente por motivo torpe.

A série de acontecimentos do ultimo final de semana, leva-nos a constante busca de explicação sobre o estado de violência que se instalou no Brasil inteiro, mas sabe-se que a impunidade pode estar por trás de tudo isso.

As causas são importantes, porém mais importante que as causas são os resultados mas eles nunca aparecem. Um conjunto de acontecimentos violentos a partir de uma década até os dias atuais chama a atenção.

Nossos representantes parecem estar agindo na contra-mão desta triste realidade. Parece que quanto mais crescem os assassinatos menos o bandido é punido. Quanto mais aumenta a crueldade, mais aumentam os benefícios concedidos ao bandido que hoje não pode mais ser tratado como tal porque se assim for tratado é punido quem o qualifica desta forma.

É preciso uma resposta urgente por parte das autoridades competentes não por um caso isolado mas sim por uma série de práticas criminosas que dominam os noticiários brasileiros ultimamente, sempre colocando a vítima em situação de desiguldade com o bandido. Ele está armado, a vítima foi proibida pelo Estado de portar arma a não ser por uma série de requisitos que dificilmente consegue cumprir. Não se trata de um apelo pela arma mas o apelo vem pelo fim da desigualdade entre o bandido e o cidadão.

É claro que uma série de problemas sociais também está em jogo nestes crimes mas o governo alega que na ultima década os problemas sociais foram deixando de existir, então o que justifica tanta violência?

Se o problema está no consumo e o tráfico de drogas é sinal que o governo vem perdendo esta guerra contra os traficantes que agora viram no crack uma forma de dominar o varejo das ruas e agravar uma série de problemas que já existiam como o da Saúde Pública por exemplo.

Enfim, é necessário demonstrar que o Brasil está tendo ao menos coragem de enfrentar esta guerra desigual onde grande parte das pessoas que estão morrendo são vitimas inocentes de um clima de impunidade.

Os números mostram que pelo menos 49.932 pessoas foram assassinadas no ano passado no país. Dados oficiais do Ministério da Saúde indicam que 35.233 foram vítimas de armas de fogo, o que corresponde a 70,5% dos homicídios ocorridos no país em 2010.

O Brasil é responsável por 10% dos homicídios ocorridos no mundo. Entre 1998 e 2008, mais de 520 mil pessoas foram assassinadas no país, o que significa uma média de cerca de 47.360 por ano.

Para se ter uma idéia, a China, país com cerca de sete vezes mais habitantes do que Brasil, teve três vezes menos assassinatos: 14.811 homicídios em 2008. Ou seja, uma taxa de homicídios 21 vezes menor do que a brasileira.

O último relatório divulgado pela ONU revela como estamos vivendo. Ou melhor: quantos estão morrendo. O Brasil tem o maior número de homicídios do mundo em números absolutos. O perfil mais comum da vítima é o homem jovem.

A pesquisa também fez estatísticas proporcionais. Considerando o tamanho da população, o Brasil tem a terceira maior taxa de homicídios da América do Sul. Só é pior na Venezuela e na Colômbia. No Brasil são 22,7 assassinatos a cada 100 mil habitantes.

A ONU aponta que, onde há desigualdade social, poucos ricos e muitos pobres, o risco de crimes violentos é quatro vezes maior. O estudo diz que, quando a economia piora, a violência pode aumentar. Durante a crise financeira de 2008, houve um número maior de assassinatos em alguns países.

A maior parte dos crimes com mortes são por armas de fogo. Homens e jovens são as vítimas mais comuns. Uma espécie de pena de morte estabelecida no mundo do tráfico ou seja; se não pagar o que consome, morre assassinado. Há uma série de fatores que precisam ser atacados mas é preciso que estes fatores comecem a ser atacados com seriedade e planejamento estratégico.


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