15/07/2013 18h12 - Atualizado em 16/07/2013 06h12

Traficantes presos

 

Números do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) revelam que 30% dos homens e mulheres que cumprem pena ou aguardam julgamento atrás das grades em todo o Brasil estão em cárcere por tráfico de drogas. Em linhas gerais, significa dizer que do total de 548.003 presos existentes no país, exatos 138.198 violaram a lei dos entorpecentes e a quase totalidade acabará condenada pelo Poder Judiciário. O volume poderia servir como alento para aqueles que defendem uma atuação mais contundente da polícia no combate ao tráfico de drogas, mas acaba sendo frustrante quando se conclui que mais de 90% dos presos são aliciados pelos narcotraficantes, ou seja, de cada 10 prisões apenas uma envolve o chamado grande traficante, enquanto os demais são pessoas que acabam seduzidas com a promessa de ganhar dinheiro fácil transportando drogas das regiões de fronteira para os grande centros consumidores do país. Com isso, a prisão desses varejistas do narcotráfico tem pouco impacto sobre o comércio das drogas no Brasil, já que aqueles que são presos acabam substituídos por outros e os negócios do narcotráfico seguem no mesmo ritmo.

O mais preocupante é que no atual ritmo de prisões de traficantes formiguinhas, o sistema prisional brasileiro entrará em colapso em poucos anos. Em 2010, por exemplo, os presídios tinham 106.491 pessoas presas na guerra contra o narcotráfico e dois anos depois esse número saltou para 138.198. Entre 2010 e 2012, a população carcerária passou de 496.251 para 548.003 detentos, um aumento de 10%, mas o contingente de presos por tráfico é 30% superior ao de assaltantes que cumprem pena em regime fechado. Mesmo com tanta gente atrás das grades, o relatório do Escritório sobre Drogas e Crimes da Organização das Nações Unidas revela crescimento das taxas consumo de maconha e cocaína no Brasil, de forma que as prisões não estão surtindo efeito sobre o consumo. O documento da ONU aponta ainda que o Brasil se tornou uma das principais rotas de envio de cocaína para a Europa, tanto que as apreensões da Polícia Federal mais que quadruplicaram em uma década. No ano 2000 foram apreendidas pouco mais de 5 toneladas de cocaína, enquanto em 2010 esse volume atingiu a impressionante marca de 27 toneladas, um crescimento de 440%.

O Escritório sobre Drogas e Crimes alerta que até o início do ano 2000, a principal rota de transporte de cocaína para a Europa era feita de navio, diretamente da Colômbia para a Espanha e para a Holanda, mas agora os narcotraficantes instalados no Peru, na Bolívia, no Paraguai e na própria Colômbia estão usando o Brasil como uma das principais rotas para o tráfico. Talvez por isso, o governo federal tenha colocado em prática o Plano Estratégico de Fronteiras, uma iniciativa coordenada entre os órgãos de segurança pública e as Forças Armadas para combater a criminalidade e promover o desenvolvimento social dos municípios localizados na faixa de fronteira, sobretudo nos Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a Operação Ágata e Operação Sentinela já apresentaram resultados importantes na guerra contra o tráfico.

Nas seis edições levadas a efeito pelas Forças Armadas, sempre em parceria com os demais organismos de segurança, a Operação Ágata vistoriou 319.635 veículos, 222 aviões, 5.681 embarcações e destruiu 4 pistas clandestinas de pouso de aviões. Foram apreendidos 19.892 quilos de explosivos e 11.801 quilos de entorpecentes apreendidos. Os números da Ágata nem se comparam com o resultado da Operação Sentinela, que em pouco menos de dois anos apreendeu 350 toneladas de drogas, apreendeu R$ 10,7 milhões em poder de criminosos e tirou de circulação 16,2 milhões de maços de cigarros. Até o final do ano passado, a Operação Sentinela havia desarticulado 42 organizações criminosas transnacionais, apreendido 2.235 armas de diversos modelos e recolhido 1,89 milhão de unidades de medicamentos falsificados e os proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os números comprovam a eficiência dessas operações, mas não explica porque mesmo assim as drogas estão cada vez mais presente no cotidiano das cidades brasileiras.




 
 
 
 
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