25/01/2012 18h07 - Atualizado em 26/01/2012 06h07

Reformas adiadas

 

Estamos nos aproximando do final do mês de fevereiro e a tão esperada reforma ministerial, prevista para este mês ainda não aconteceu. Uma reunião ocorrida no sábado passado serviria como uma espécie de preparação para as reformas que não se concretizaram. O que ocorreram e estão previstas são apenas remanejamentos em função do período eleitoral.

Com certeza estes adiamentos ou cancelamento das reformas resultam de pressões para evitar que a instalação de uma guerra entre partidos aliados por cargos de primeiro escalão. A pressão teria levado a presidente Dilma Rousseff a fazer apenas mudanças pontuais e não a reforma ministerial de janeiro como ficou conhecida nos meios políticos. Não havendo fusões ou diminuições de pastas no governo as reformas não passaram de ajustes.

Que a reforma ministerial é necessária, não existe a menor sombra de dúvida. A presidente Dilma poderia até desejar as reformas como um meio de contenção de gastos públicos com o perigo iminente da crise mundial batendo as nossas portas, mas para que haja a reforma é necessária a autorização do Congresso Nacional, dominado pelos principais partidos governistas, PT e PMDB.

A presidente já vinha de um certo desgaste após trocar sete ministros em menos de um ano, seis deles por suspeitas de irregularidades, Dilma está correndo léguas de mais conflitos com os partidos aliados. A reforma ministerial de Dilma seria fundamental para cortar os gastos públicos nesta onda de pavor a crise mundial, porém ela não acontece porque nenhum partido quer ceder as reformas. Publicamente é uma coisa, nos bastidores é outra completamente inversa.

A ótima fase de avaliação da presidente Dilma Rousseff também pode ser um dos fatores a contribuir para que ela evite tomar decisões que possam desbancar a sua ótima posição no ranking dos ex-presidentes. No fim do primeiro ano de seu governo um índice de aprovação recorde, maior que o alcançado nesse estágio por todos os presidentes que a antecederam desde a volta das eleições diretas.

Segundo pesquisa Datafolha, 59% dos brasileiros consideram sua gestão ótima ou boa, enquanto 33% classificam a gestão como regular e 6% como ruim ou péssima. Ao completar um ano no Planalto, Fernando Collor tinha 23% de aprovação. Itamar Franco contava 12%. Fernando Henri-que Cardoso teve 41% no primeiro mandato e 16% no segundo. Lula alcançou 42% e 50%, respectivamente.

Por outro lado os números mais recentes mostram que a presidente fez o que pôde para cortar gastos públicos neste período da pesquisa dentro da estrutura administrativa. O que estava sob o seu domínio ela controlou, como foi o caso da economia de R$ 1 bilhão em despesas com passagens aéreas e diárias em 2011. Segundo dados do Ministério do Planejamento, na comparação com 2010, houve redução de 43% nos gastos com esses serviços. As despesas registradas no ano passado somaram R$ 1,3 bilhão ante R$ 2,3 bilhões em 2010, época da farra dos cartões corporativos.

Para a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, a economia é resultado do esforço da administração federal, que prioriza a qualidade do gasto público. “Estamos determinados em dar continuidade à melhoria do gasto, otimizando os recursos para que sejam, cada vez mais, revertidos para a melhoria dos serviços à população e ao aprimoramento da gestão. Tudo isso foi feito sem prejuízo aos serviços estratégicos e sem penalizar os resultados. Estamos tirando excessos e adotando tecnologias alternativas. Trata-se de uma mudança de cultura no governo federal”, explicou ela.

A teconologia é apontada como a principal aliada da presidência da República para atingir estes resultados. O uso de recursos como videoconferências, portais colaborativos e redes sociais contribuíram para a redução dos gastos. A adoção de novos mecanismos tecnológicos trouxe como resultado a modernização da gestão. Espera-se que estes mesmos mecanismos se mantenham e continuem a realmente a diminuir ainda mais os gastos nos próximos anos quando o Brasil estará cada vez mais se aproximando das eleições presidenciais. Esta nova cultura da presidente Dilma já tinha que ter sido adotada por ela desde quando ocupava a Casa Civil. Mas agora como presidente da República merece ainda mais a confiança dos brasileiros pois como ministra sua autonomia era limitada.


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