Povos indígenas

12/08/2017 07h00

Na semana em se comemora o Dia Internacional dos Povos Indígenas, muitas histórias aindam precisam ser contadas e recontadas, principalmente sob a ótica de quem já habitava o Brasil antes da chegada das caravelas portuguesas. Não se trata apenas de relembrar a tragédia anunciada de quem sofreu muitas dores, mas sobretudo para refletir a situação em pleno século XXI, onde a aldeia global se soprepõe às aldeias indígenas. Tudo é instantâneo, mas alguns dilemas parecem ter parado no tempo, e continuam vivos nas paredes das memórias de um País que ainda permanece "deitado eternamente em berços esplêndidos" diante de problemas crônicos que afetam toda a sociedade e que acabam virando manchetes internacionais.

Na sombra da crise que assola o Brasil, o Governo Federal terá que dar respostas que possam atender os anseios de uma população que clama, sem deixar de lado outros segmentos que detém direitos assegurados. Ressalta-se a importância das reivindicações feitas pelas comunidades indígenas, como os pleitos apresentados no final da década de 1980, pelo líder indígena yanomami, Davi Kopenawa, que na época deixou sua aldeia, na floresta amazônica, para denunciar na Organização das Nações Unidas que a terra de seu povo havia sido invadida por 40.000 garimpeiros em busca de ouro. Um levantamento oficial realizado na época constatou a presença de 82 pistas clandestinas de voo, usadas para levar esses trabalhadores ao centro da floresta, 200 balsas que bombeavam cascalho atrás do minério e cerca de 500 barracas espalhadas por três acampamentos localizados dentro de aldeias yanomami. Como resultado, estima-se que cerca de 20% da população indígena local tenha morrido por doenças, como malária, por fome ou vítima de outros impactos causados pela mineração, aponta um documento feito pelas associações dos povos indígenas locais com o Instituto Socioambiental.

Depois disso, Em 1992, o território yanomami foi, finalmente, demarcado e os garimpeiros foram expulsos da área. Mas a ameaça se acerca novamente. Desde 2013, registra-se uma volta em massa de garimpeiros da região. Segundo o documento feito pelas associações e pelo Instituto Socioambiental, já foram constatados ao menos 84 indícios de garimpo ilegal, entre pistas de pouso clandestinas e áreas de extração do minério ao longo dos rios Uraricoera, Mucajai e Catrimani, todos dentro da área indígena Yanomami. Este ano, Davi voltou à Organização das Nações Unidas, para denunciar em Genebra novas invasões. Na oportunidade foi entregue ao órgão uma carta, assinada por 30 organizações indígenas brasileiras, em que fazem denúncias em relação a atual situação da saúde dos seus povos, aos ataques vividos por eles e às mudanças na Fundação Nacional do Índio feitas pelo Governo Federal.

Segundo os indígenas, a exploração de terras da amazônia pelo garimpo está causando problemas

Como já aconteceu em 1985 e 1986, com a proliferação dos garimpos, os indígenas tem reclamado que a exploração de pedras preciosas tem causado doenças em diversas aldeias da Amazônia. Além disso, o mercúrio desce pelos riachos e contaminam as águas. Segundo relatos, Governo federal tem a responsabilidade de cuidar da saúde do povo indígena do Brasil, mas diante da demanda de atendimento, acaba não cumprindo com as suas obrigações, como o acompanhamento médico e a distribuição de remédios para aqueles que já estão estão doentes. Nesse sentido, as lideranças indígenas esperam que a Organização das Nações Unidas pressione o Governo.

O Mato Grosso do Sul, que tem a segunda maior população indígena no País instituiu o Programa de Apoio às Comunidades Indígenas de Mato Grosso do Sul nas aldeias que incentiva prática da agricultura familiar sustentável.

No entedimento do Governo do Estado, mais do que um simples marco no calendário, em Mato Grosso do Sul, o Dia Internacional dos Povos Indígenas é um momento oportuno para propor uma reflexão sobre a importância das políticas públicas para as diversas etnias aqui existentes, no âmbito de facilitar o acesso aos recursos para promoção social, garantia de direitos e preservação das tradições.