O mês de janeiro que ora se finda, sempre foi marcado por tragédias no Brasil. São vidas que se vão como aconteceu recentemente no Rio de janeiro. Citando a nossa triste realidade, nos referimos ao fato que aconteceu em Campo Grande, onde um jovem de 21 anos foi engolido por uma boca de lobo na última quinta-feira, quando estava de motocicleta. Na capital de Mato Grosso do Sul toda vez que o tempo muda para a chuva é sinal de desespero por parte da população que já começa a entrar em pânico a cada trovoada.
A população da capital Morena sabe que não consegue se livrar dos transtornos das chuvas com ruas ficando alagadas, trânsito tumultuado, visibilidade comprometida, sem que haja esperanças de que na próxima chuva a situação possa mudar. Claro, nenhuma autoridade é capaz de fazer parar a chuva ou fazer com que ela caia de maneira mais amena. No entanto pode se esforçar para adaptar a cidade a esta nova e triste realidade.
Na cidade de Campo Grande as obras públicas nunca param. São investimentos que vão desde simples reparos de manutenção até as obras mais gigantescas como as do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Tanto é verdade, que o setor de construção civil passa por um momento delicado quando o assunto é mão de obra qualificada. A oferta de empregos é bem menor que a procura e isso tem levado os empresários do setor a apelar para a criatividade para tentar atrair os profissionais para o setor.
Ao prefeito Nelsinho Trad cabe as lamentações do rastro de destruição que as chuvas deixam e tentar reconstruir a cidade a cada temporal. Mas é necessário que daqui pra frente a cidade possa estar preparada para um projeto de readequação. Existem cidades brasileiras cortadas por grandes rios como no estado de Minas Gerais, mas este não é o caso de Campo Grande, cortada apenas por pequenos córregos.
As chuvas da capital ultimamente são passageiras, porém intensas como a que caiu na última quinta-feira, onde choveram mais de 90 milímetros elevando a quantidade esperada de 210 para 301,2 milímetros caindo em uma só pancada a metade do que estava previsto.
Algo que possa pelo menos conter as inundações e os problemas causados pelas fortes chuvas antes que elas façam mais vitimas fatais, a exemplo do motociclista que foi levado pela enxurrada, deve ser encarado como prioridade no programa de governo.
Ao poder público cabe desenvolver ações e investimentos para tentar dar vazão a esta água. O que há de errado com os pequenos córregos de Campo Grande, com os bueiros de Campo Grande? Estas respostas somente através de um novo planejamento neste sentido poderão ser conhecidas.
Porque muitos bueiros continuam abertos na capital? como este, que teria “sugado” o motociclista. O alerta não vai somente para o prefeito Nelsinho Trad, pois o problema de bueiros abertos se repete em diversas cidades de Mato Grosso do Sul, às vezes até mesmo pela ação de vândalos e ladrões que se apoderam das estruturas de ferro para vender aos receptadores.
Sabemos que a chamada vida moderna exige do ser humano uma determinada pressa que requer agilidade na locomoção. O crescimento no numero de motocicletas talvez tenha relação com esta nova realidade, pois além de ágil, a motocicleta é veloz e econômica.
Mas é preciso que a população também pense na própria vida na hora da chuva. Reforçando o alerta da Polícia Militar, como os motociclistas estão cada vez mais expostos, eles devem ter atenção redobrada. Aliás, atenção é a palavra chave quando as nuvens começam a carregar na capital de Mato Grosso do Sul.
Atenção com a velocidade para evitar todos os tipos de problemas, paciência para procurar um local seguro até a chuva passar e jamais tentar passar em ruas alagadas, pois não se sabe sobre o que se está passando. Aos condutores de automóveis a mesma recomendação. A diferença entre os motoristas e os motociclistas é que os primeiros sempre estão mais protegidos. Em todas as situações e principalmente quando uma chuva forte está caindo, quem está dentro de um carro corre menos perigo.
Em apenas uma hora choveu o suficiente para gerar 18 acidentes de trânsito, sendo 15 com vítimas, um deles com vitima fatal. Uma situação atípica na capital. Mas, atípica até certo ponto, pois todos os anos a cidade tem convivido com esta situação. Alerta de que é preciso ao menos começar a repensar a infra-estrutura da cidade, pois para o próximo temporal não se sabe quantas vidas serão levadas pelo bueiro. Este é o grande perigo que ronda uma das mais belas capitais do Brasil, conhecida como Capital Morena.