18/09/2012 17h03 - Atualizado em 19/09/2012 07h03

Greve dos Bancários

 

Os cerca de 500 mil bancários espalhados por todo o Brasil decidiram cruzar os braços ontem numa greve que se anuncia como uma das mais longas de todos os tempos, uma vez que os banqueiros já sinalizaram que não pretendem atender as reivindicações da categoria que pede, entre outras coisas, reajuste salarial de 10,25%, com 5% de aumento real, além de plano de cargos, carreira e salários, maior participação nos lucros e resultados, o chamado PLR, e mais segurança nas agências.

Mesmo diante da ameaça da greve que acabou se consumando, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) insistiu na oferta de 6% de reajuste salarial e nada mais, ou seja, os banqueiros estão pagando para ver até onde os trabalhadores ficarão de braços cruzados. Os banqueiros estão tão preocupados com a greve que ontem emitiram comunicado orientando a população que muitas das operações bancárias poderão ser realizadas por meio dos caixas eletrônicos, internet banking, telefone e correspondentes bancários, tais como casas lotéricas, agências dos Correios e outros estabelecimentos credenciados.

O fato é que a greve nacional deflagrada ontem pelos bancários deixou milhões de pessoas sem acesso a serviços que são prestados exclusivamente por essas instituições financeiras, principalmente o pagamento de duplicatas, desconto de cheque e outros títulos. Porém, quem precisou fazer depósito ou saque em valor superior a R$ 1 mil também não conseguiu e, tampouco, pode usar o subterfúgio das Casas Lotéricas.

Os trabalhadores entendem que a greve seria o único caminho para forçar os banqueiros a negociar, mas uma questão não quer calar: o que o servidores públicos federais que trabalham na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil têm a ver com a rede bancária privada? Ora, que uma greve paralise os serviços em bancos como o Itaú, Bradesco, HSBC e Santander para pressionar a Febraban pode ser até razoável, mas o que legitima a adesão de servidores públicos federais a um movimento grevista que, a princípio, deveria ser voltado exclusivamente para os bancos particulares? Ademais, a população não pode pagar a conta da insatisfação desses servidores com o governo federal. O fato é que, apesar do direito a greve ser líquido e inviolável, ele termina onde começa o direito constitucional que o contribuinte tem de ir e vir.

Ora, como alguém que paga seus impostos pode ser barrado na porta de um banco estatal por um grupo de funcionários públicos que ao invés de protestar e penalizar o governo, prefere penalizar o cidadão? Se na Constituição Federal está escrito que toda pessoa tem o direito de ir e vir e se o Banco Central regulamenta que o horário de atendimento é das 10h às 15h, com que direito os servidores grevistas se postam diante das portas das agências bancárias impedindo o acesso daqueles que pagam os salários dos próprios servidores? O resultado de tudo isso é que as Casas Lotéricas ficaram lotadas, os caixas eletrônicos entraram em pane e o contribuinte, que nada tem a ver com a reivindicação dos servidores, não conseguiu sequer sacar dinheiro para suas despesas mais urgentes. É lastimável.

Fica a torcida para que tanto o governo federal quanto a Febraban retomem as negociações com os grevistas e apresentem uma proposta razoável sobre a questão salarial. Porém, também fica a torcida para que no caso dos bancários do serviço públi-co os dias parados possam ser descontados, até mesmo para que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) seja cumprida. O que não pode é apenas um lado, justamente o contribuinte, perder com a greve em instituições financeiras que tem, entre outras coisas, o monopólio de contratos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), do Programa Especial de Crédito para Reforma Agrária (Procera) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ou seja, quem tem prazo para concluir o financiamento da casa própria ou viabilizar recursos para o plantio da safra 2012/2013 terá que ficar refém de uma greve que tem prazo indeterminado para acabar. Sem querer entrar no mérito da greve, mas tanto os bancários do sistema pú-blico quanto aqueles que prestam serviço na área privada deveriam buscar outras formas de pressionar seus patrões, mesmo porque já ficou mais do que patente que essas greves geram prejuízo de pequena monta para os banqueiros que, pasmem, ainda lucram com os juros e multas cobrados toda vez que alguém não consegue pagar uma conta em virtude da paralisação.

 
 
 
 
 
 
Imóveis Apartamentos Veículos e Utilitários Importados Motos Diversos Telefones Empregos e Oportunidades