15/02/2012 21h43 - Atualizado em 16/02/2012 061h43

Em defesa da vida

 

A série de transtornos vividos pelos douradenses nos dias chuvosos merece uma reflexão por parte do poder público no sentido de começar a agir para evitar novos incidentes. Dourados tem uma grande vantagem sobre a maioria das cidades do mesmo porte no Brasil. A arborização, que contribui para a melhoria da qualidade de vida beneficiando o ar que se respira, proporcionando sombra natural, abrigando os pássaros, beneficiando o solo, amenizando o calor e uma lista imensa de fatores benéficos a saúde.

Mas ao longo do tempo não houve um monitoramento destas espécies de árvores, a poda radical nem sempre foi combatida, a poda legalizada principalmente entre os fios de alta tensão também nem sempre aconteceu. Arvores centenárias foram se desenvolvendo e já cumpriram o seu ciclo de vida e mesmo assim continuam agonizando em pé ao ponto de cair a qualquer momento e os vendavais surgem como uma grande possibilidade para provocar acidentes e outros estragos provenientes de sua queda brusca. Ou seja; morrem as árvores centenárias que já agonizavam há tempo por falta de um estudo que aponte quais as árvores estão realmente condenadas.

Observa-se também que as árvores mais novas também estão condenadas a morte. Não pelo fato de serem centenárias mas porque grande parte dos moradores, procurando fugir da burocracia da legalização as condenam, sempre dão um “Jeitinho” criminoso de derruba-las para se livrar de vez de algum transtorno que as suas casas, empresas, etc...

Dourados é totalmente arborizado e talvez por isso a população e as autoridades tenham dificuldades em perceber a quantidade enorme de árvores que estão sendo “assassinadas” a cada dia.

Defende-se portanto que haja, em nome da vida, o mais urgentemente possível o inicio de um estudo capaz de levantar e monitorar a quantidade de arvores que existem em Dourados, quais as espécies que mais predominam no município, quais as espécies nativas desta região. Sabe-se que a maior parte delas se chama Sibipiruna Originária do Brasil, especificamente da Mata Atlântica. Uma árvore muito utilizada no paisagismo urbano em geral, sendo também indicada para projetos de reflorestamento pelo seu rápido crescimento e grande poder germinativo.

Esta espécie foi implantada em Dourados há cerca de 40 anos, mas não se sabe ao certo se ela realmente se adapta a realidade atual. Agora o que fazer? Elimina-las? Jamais, somente aquelas que realmente estiverem condenadas, havendo para isso um laudo das autoridades competentes.

Mas é preciso um mutirão neste sentido envolvendo a Prefeitura de Dourados, Câmara Municipal, Ministério Público, Sociedade do Meio Ambiente (Salvar), Associação dos Engenheiros Agrônomos, Embrapa, Enersul, Polícia Militar Ambiental, enfim, envolvendo todos os órgãos e entidades capazes de formar um conjunto e cada um fazer a sua parte para que seja ao menos dado o primeiro passo.

Ora, o Meio ambiente é de todos, portanto ele passa a ser um problema de todos e havendo uma união de esforços neste sentido estes transtornos serão solucionados. A árvore jamais pode ser vista como um problema, pelo contrário ela representa a vida e a solução para os problemas do meio ambiente. Eis a razão obvia que explica o surgimento desta ação integrada em favor do meio ambiente saindo do censo comum das ruas e passando a discutir tecnicamente e cientificamente o assunto e acima de tudo apresentar solução.

No passado os administradores públicos não contavam com os recursos que existem hoje. Mas há de se enaltecer os prefeitos das ultimas décadas porque pelo menos eles tiveram a visão de que havia a necessidade de se arborizar o espaço urbano porque no meio rural as arvores estariam cada vez mais escassas.

Hoje os pássaros fogem do meio rural porque as arvores não existem mais. Os animais silvestres, por exemplo o macaco, que jamais eram vistos na cidade, hoje passeiam entre as arvores porque no campo é impossível a sua sobrevivência entre plantação a soja, a cana e o pasto. Queremos continuar tendo o privilégio de abrigar os bichos e salvar a vida de muita gente, por isso nos colocamos em defesa das árvores e do fim dos transtornos dos temporais.

 
 
 
 
 
 
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