As mulheres brasileiras começaram suas conquistas pelo direito ao voto nas eleições nacionais. Esse direito foi obtido por meio do Código Eleitoral Provisório, de 24 de fevereiro de 1.932. Mesmo assim, a conquista não foi completa. O código permitia apenas que mulheres casadas (com autorização do marido), viúvas e solteiras com renda própria pudessem votar. Passados quase oitenta anos, hoje temos uma mulher ocupando a presidência da República.
Dilma Rousseff alcançou um cargo que seria impossível até poucas décadas. Hoje ela é a principal referência feminina o que deveria reforçar ainda mais a luta das classes femininas na busca de melhorias em todos os sentidos. Todos reconhecem o esforço das mulheres para conseguir mais espaço ou igualdade perante os homens. Mas ainda não é tudo pois elas continuam em posição inferior aos homens quando o assunto é salário. Uma pesquisa sobre a renda do trabalhador brasileiro apresentou cenário favorável em 2011, mas as disparidades nos ganhos ainda persistem. As mulheres ganharam, em média, 28% a menos do que os homens em 2011, segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) Cimar Azeredo. No ano passado, em média, as mulheres ganharam R$ 1.343,81 contra R$ 1.857,64 dos homens.
Isso ocorre num ano em que o rendimento médio mensal habitualmente recebido no trabalho principal, de homens e de mulheres, foi estimado em R$ 1.625,46. A quantia é equivalente a aproximadamente três salários mínimos, e foi o valor anual médio mais elevado desde 2003, 2,7% superior a 2010.
Num passado recente as mulheres lutavam por um espaço no mercado de trabalho. Agora que este espaço já foi conquistado a bandeira feminina deve estar voltada a igualdade no salário. Não se justifica o fato dos homens estar sendo melhor remunera-dos que as mulheres se praticamente todas as funções antes ocupadas somente pelos homens, hoje as mulheres ocupam. Não existe razão para uma remuneração melhor se os resultados na prática são idênticos ou ainda mais perfeitos que o trabalho dos homens. A mulher não só lutou por espaços. Ela lutou, conseguiu e provou que é capaz e por isso a luta deve continuar.
Quer conquista maior do que a das mulheres na política brasileira? Elas estão ocupando cargos importantes desde a presi-dência da república. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, vem sendo governado interinamente por Simone Tebet. Elas estão em toda parte. Na presidência, nos governos estaduais, municipais, nas delegacias de polícia, enfim, chegaram ao ápice do poder e não precisam mais sair as ruas para implorar por igualdades. O espaço já é delas.
Outra conquista importante foi a de poder frequentar o ensino superior. Para tanto, até algum tempo atrás elas necessitavam do consentimento moral de seus maridos, como na época do primeiro voto, que nem sempre permitiam, porque sabiam que o ensino superior é a principal porta para o sucesso profissional e na política. Este conceito de necessidade de permissão do marido para determinadas coisas foi caindo, a medida que a mulher foi descobrindo a sua independência e que aos maridos ela deve respeito e não satisfação de suas decisões pessoais.
Além do salário inferior ao homem é sabido que muitas mulheres ainda enfrentam preconceitos em seus locais de trabalho, sendo as vezes humilhadas com piadas maldosas e comparações absurdas. Mas hoje, pelo menos elas podem contar com a Lei Maria da Penha para denunciar seus agressores verbais e físicos. Antes nem esta lei existia e elas eram discriminadas até mesmo nas delegacias de Polícia.
São inúmeros os tabus e opiniões machistas levando a entender que lugar de mulher é na cozinha e na lavanderia. São fatores que reforçam a necessidade da continuidade da luta das mulheres não só no mercado de trabalho, como mãe, esposa, dona de casa e trabalhadora assalariada.
Porém avançou-se muito nesta questão da luta feminina porque hoje muitos homens preferem em determinados setores ser atendidos por mulheres do que por homens. Esta preferência não se dá somente em função do interesse natural pelo sexo oposto, mas sim pela forma com que geralmente a mulher trata certas questões e resolve certas questões de forma delicada e ágil sendo perfeita naquilo que se propõe a fazer. As empresas estão enxergando isso, basta que elas resolvam valorizar ainda mais as suas funcionárias.