Pão e leite ficam mais caros em MS com seca e alta do dólar

Em Dourados, preço do litro do leite sobe 5% a partir de hoje e chega a R$ 3,20. Quilo do pão subirá 10% em junho

Por: Valéria Araújo - 16/05/2018 10h20

 
Panificadoras  de MS repassam alta do  trigo a partir de junho - foto: Marcos Ribeiro Panificadoras de MS repassam alta do trigo a partir de junho - foto: Marcos Ribeiro

O café da manhã fica mais "salgado" em Mato Grosso do Sul. A partir de hoje (16) em Dourados, o leite está 5% mais caro e deve chegar a R$ 3,20 o litro. Já o pão deve subir 10% a partir de junho e chegar a R$ 13,75 o quilo. Alta do dólar e a seca na Argentina são os principais fatores. De acordo com o empresário José Roberto Ribeiro Pinto Júnior, o "Beto da Pão e Companhia", em quatro meses o preço da farinha do pão subiu 40% em dólar. Em janeiro a saca de 50 quilos saía por R$ 71 e nesse mês de maio o valor foi para R$ 107,32, a saca.

O produto representa 28% na produção do pãozinho. "Somados os encargos como o aumento de 10% da energia elétrica, aumento de salários e aumento em dólar da tonelada do trigo o produto encarece", explica, observando que 80% do trigo utilizado pelo setor de panificação no Brasil é importado.

Ele ressalta que essa majoração dos preços do pão francês preocupa o segmento, pois, esse reajuste com certeza irá impactar na competitividade das panificadoras de Mato Grosso do Sul. De acordo com Marcelo Alves Barbosa, presidente Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria de Mato Grosso do Sul, essa majoração dos preços do pão francês preocupa o segmento, pois, esse reajuste com certeza irá impactar na competitividade das panificadoras de Mato Grosso do Sul.

"Com a crise, já estamos trabalhando com um preço elevado e muitas empresas tiveram de fechar as portas, principalmente porque os preços estão em descompasso com a situação econômica que estamos vivendo e isso faz com que os clientes procurem valores mais baixos", declarou Marcelo, completando que o Sindicato já está buscando soluções para garantir a competitividade do segmento.

Ele ainda explica que a Argentina, principal fornecedora de trigo para o Brasil, está sem disponibilidade para atender a total demanda dos moinhos brasileiros e isso começa a impactar no mercado interno a partir de julho. "A Argentina passa pela pior seca dos últimos 40 anos e isso acabou influenciando nos preços do trigo", argumentou, acrescentando que a alta do dólar também interfere nos custos de produção e, consequentemente, nos valores repassados aos consumidores.

"A elevada cotação da moeda americana, que vem ocorrendo ultimamente, com alta acumulada de 10,97%, é mais um fator que irá concorrer para o aumento do preço final do pão francês", completou o presidente do Sindepan/MS, reforçando também que outros insumos como óleo, açúcar, fermento e embalagens também ficaram mais caros e as indústrias da panificação, principalmente aquelas que trabalham com a parte de confeitaria, terão de repassar esse reajuste aos consumidores finais.