Feirantes pedem intervenção para obra inacabada

Trabalhadores denunciam que adequações prometidas na gestão passada não foram cumpridas e que estrutura não oferece condições para manter perecíveis

Por: Valéria Araújo - 09/01/2017 07h46

Feira Livre em dias de chuva ou de sol causa transtorno para trabalhadores. (Foto: Divulgação) Feira Livre em dias de chuva ou de sol causa transtorno para trabalhadores. (Foto: Divulgação)

Feirantes de Dourados estão pedindo a intervenção do Ministério Público para sanar problemas crônicos da nova feira, entregue de forma inacabada à população. Segundo eles, as adequações prometidas na gestão passada não foram cumpridas e, por isso, a estrutura não oferece condições para manter principalmente os perecíveis. Os trabalhadores que chegaram a pedir o embargo da obra em novembro do ano passado, voltam ao MP, desta vez para pedir intercessão acerca das adequações que precisam ser feitas no local.

Segundo eles, diferentemente da Rua Cuiabá, em que haviam grandes árvores para proteger do sol, na nova estrutura o calor intenso mata as hortaliças, causando prejuízo. Em dias de chuva, nem as "gambiarras" protegem os clientes. "Na Cuiabá, tínhamos as árvores que protegiam e faziam sombra o dia inteiro. Aqui é uma estrutura que terá que ser adaptada e não sabemos como adaptar sem mudar. Não participamos do projeto, não fomos ouvidos para dar uma sugestão sequer e isso dificultou as coisas. Agora é sentar com a nova administração e procurar as melhorias necessárias", disse um dos feirantes que preferiu não se identificar.

Conforme ele, houve promessa de uma estrutura coberta e segura, porém entregaram duas colunas de ferro com uma lona em cima e boxes sem espaço. "O objetivo foi apenas inaugurar para tirar fotografia. Fomos obrigados a sair da Cuiabá porque a Prefeitura não colocava guarda patrimonial no local. Tivemos que sair de onde a gente estava para ir para uma estrutura ainda pior. Em dezembro a prefeitura disse que faria adequações, mas depois da inauguração e dos flashs ninguém mais apareceu", lamenta.

Os feirantes reclamam de várias irregularidades. O primeiro é o número de boxes insuficientes e o tamanho reduzido dessas estruturas. Também falta local para carga e descarga de produtos. Outro problema é que, com tamanho mínimo das tendas disponibilizadas, não há espaço para guardar estoque de produtos.

Nova gestão

O atual secretário de Agricultura e Economia Solidária Landmark Ferreira disse que fará um levantamento sobre as adequações necessárias e que pretende se reunir com os feirantes para amenizar os transtornos. Também vai verificar quais as obras que serão realizadas na segunda etapa da construção da feira.

Segunda etapa

O PROGRESSO apurou que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) depositou no dia 27 de dezembro R$ 747.176,62 para a segunda etapa das obras. Os valores fazem parte de duas emendas individuais no valor de R$ 1.218.750,00 do senador Waldemir Moka (PMDB) e pelo deputado federal Geraldo Resende (PSDB), totalizando mais de R$ 2,4 milhões.

A segunda etapa consiste na cobertura do apoio administrativo e operacional, que contém 4 salas aos feirantes/agricultores. O dinheiro também será usado para a construção de banheiros, casa de transformador e acesso de armazenamento de lixo. Com os recursos ainda serão construídas a praça de alimentação coberta, estacionamentos, banheiros e cercamento, totalizando 2.283,17 m² de área construída. As áreas cobertas são a praça de alimentação, com 2.043 m², o banheiro principal, com 146,39 m², o banheiro secundário, com 57,37 m², e a casa do transformador, com 36,38 m².