Famílias vivem em situação sub-humana

Em condições precárias, crianças, adultos e velhos estão ao relento numa área de chorume no Brasil 500

Flávio Verão
 
Famílias vivem na miséria no assentamento Brasil 500, em Dourados (Foto : Hedio Fazan/PROGRESSO) Famílias vivem na miséria no assentamento Brasil 500, em Dourados (Foto : Hedio Fazan/PROGRESSO)

DOURADOS – Enquanto esperam por uma moradia nos programas de habitação popular, famílias do assentamento Brasil 500 vivem ao relento numa área encharcada por esgoto e água de chuva. O terreno fétido que abriga cerca de 10 famílias fica de frente ao Parque Ambiental Córrego Rego D’Água. Crianças, adultos e velhos vivem em barracos de lona e madeira e sofrem da mesma angústia de conquistar um lugar decente para morar. O crescimento de favelas em Dourados tem sido rápido nos últimos anos, principalmente com a chegada de trabalhadores braçais do nordeste, atraídos pela oportunidade de emprego.

Do outro lado da cidade, na região do bairro Santa Brígida, a favela denominada assentamento “José Cerveira”, nome de ex-prefeito, é bem maior e mais organizada. No local há cerca de 60 famílias. Essas áreas são invadidas. Os moradores que nela chegam fazem ligações de água e energia e levantam seus barracos.

No departamento de Habitação da Prefeitura há mais de 10 mil pessoas cadastradas para receber casa popular. Muitas delas estão no programa por morar em área de risco ou por pertencerem a grupos de famílias carentes, como as que vivem em favelas. O problema é que o número de casas em construção do Programa Minha Casa Minha Vida é bem inferior a demanda. São seis conjuntos habitacionais que juntos somam em torno de 1.300 moradias populares.

Os barracos estão instalados em locais impróprios para moradia (Foto : Hedio Fazan/PROGRESSO) Os barracos estão instalados em locais impróprios para moradia (Foto : Hedio Fazan/PROGRESSO)
MISÉRIA

Vanderleia Batista Lima é uma das moradoras mais antigas do assentamento Brasil 500. Num barraco de dois cômodos vive com o marido e quatro filhos. Ela está cadastrada há oito anos no setor de habitação para tentar a sorte de ganhar uma casa popular. “Estou com esperança de que um dia serei contemplada”, disse Vanderleia.

O drama que ela passa com a família é compartilhada com os seus vizinhos. “Os dias mais difíceis são os de chuva e de frio”, comenta a doméstica, que atualmente está desempregada. “A enxurrada invade nosso barraco e molha o pouco que temos”, diz. Ela conta que já perdeu sofá, cama, roupas e graças a doação da sociedade consegue repor algumas mobílias.

A também doméstica Milene Martins vive a esperança de ganhar uma casa popular. Ela teme o frio que deve chegar no mês que vem. “O vento entra pelas brechas do barraco, rasga as lonas”. Ela disse que a última chuvarada que caiu na cidade destruiu grande parte dos enxovais das famílias. “Perdemos roupas e cobertores”, complementou, temendo não receber ajuda da assistência social.

A doméstica também teme a saúde das crianças do assentamento. O terreno enxarcado d’água embarreada vem causando uma série de problemas nos pés dos moradores, o chamado bicho-de-pé.


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