Energisa desmantela ligações irregulares em área invadida na periferia

Os moradores estão na área pública desde 2013 e tiveram fiações arrancadas por funcionários da concessionária

Por: Flávio Verão - 16/08/2017 17h49

Cerca de 100 moradias foram alvos da fiscalização de uma operação realizada pela Energisa, concessionária fornecedora de energia em Dourados, na manhã desta quarta-feira (16) na região do Parque do Lago, periferia da cidade. As casas estão construídas em terreno público desde 2013 e apresentaram várias irregularidades do tipo "gato de energia".

Com o apoio da Polícia Militar, as ações iniciaram na manhã de ontem, mas os moradores fizeram o religamento da energia, apesar dos fios arrancados. A principal via de acesso àquela região foi interditada.

Em nota encaminhada ao O PROGRESSO, a Energisa informou que "atua em todo o estado no combate a furtos de energia, uma obrigação regulatória determinada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). E que além de ser crime e gerar impacto nas tarifas de clientes regulares, as ligações clandestinas oferecem riscos à população já que podem ocasionar acidentes com choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios, sobrecarregam e comprometem a confiabilidade da rede de distribuição de energia", disse o comunicado.

Regularização

A ocupação da área pública, localizada às margens de uma mata de preservação, iniciou em 2013 quando simultaneamente ocorreu invasão de uma grande área próximo dali, de frente a Via Parque. Naquele mesmo ano a administração municipal realocou dezenas de famílias em uma área localizada na sitióca Campo Belo, imediações da Embrapa. Muitas pessoas acharam o local distante da região central. A partir daí iniciou a ocupação às margens da mata no Parque do Lago.

De lá para cá os moradores melhoraram suas casas e hoje todas são de alvenaria, sendo a maioria murada. Eles cobram regularização da área e consequentemente a instalação de postes de energia elétrica e de cavalete de água. Tanto a energia quanto a água são utilizadas de forma clandestina.

"Mas nós queremos pagar pela água, pela luz e também pela regularização de toda a área", disse a moradora Thais Rodrigues. Ela reside em uma das 100 casas com energia cortada juntamente com o marido, um bebê de seis meses e o filho mais velho de 2 anos. "Arrancaram toda a fiação. Imagina como vamos ficar nesse frio com crianças", criticou.

Joselina Rodrigues, que mora com o marido e um neto, critica a operação e diz que antes de ser realizada os moradores deveriam ser ouvidos. "Recebemos promessa de regularização e até agora nada foi feito. Como vamos ficar sem energia?", indagou. Na companhia dos vizinhos ela diz que, se for necessário, o manifesto com fechamento da rua Vitório José Pederiva, uma das principais do Parque do Lago, continuará até o problema ser resolvido. Informou também não descartar o bloqueio de ruas de maior movimento nas imediações.