Dourados – MS sexta, 21 de setembro de 2018
Gustavo Emídio

Não estou sozinho

“Todos me abandonaram [...]; mas Deus permaneceu ao meu lado e me deu forças.” (2ª Timóteo 4.9-17)

13 Set 2018 - 16h28

Que final trágico, podemos assim concluir. Aquele que dedicou toda sua vida em função dos outros, está diante do tribunal que irá julgar sua causa. Este olha lentamente para os lados e para traz, de repente percebe que de fato, está sozinho, pois não há ninguém por si. Refiro-me ao Apóstolo Paulo, o homem cuja vida fora dedicada para conduzir pessoas à salvação, aquele que investiu seu tempo e seus melhores anos para fazer discípulos, plantar igrejas, ensinar o evangelho do reino, formar líderes, confrontar oposição, levar ajuda aos necessitados, escrever cartas a fim de corrigir, instruir e edificar a igreja de Deus, e quando parece mais necessário a simples presença de um parceiro, vê-se sozinho.

Pessoas almejam pertencer. A humanidade compartilha a fome humana do ser aceito. O indivíduo ainda que diante de toda a limitação e não ausente de defeito, simplesmente anseia em poder ser “autêntico”, independente de condições ou expectativas requeridas pelo outro. Quão necessário à alma o sentir-se inserido ao grupo ou a alguma tribo pertencer, mesmo que para isto seja necessário certa adaptação, poder partilhar sonhos e conquistas, lutas e fracassos e saber que sempre haverá alguém para praticar o conselho do apóstolo à igreja de Roma quando diz: “Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram”. (Romanos 12:15)

Importa mencionar que diante de todas as opções que surgem, nenhum substitui a família, a qual fora concedida pelo criador a fim para ser lugar de refúgio e proteção, onde desde o berço faz brotar a segurança de que pertence, pois ali aprendemos para sempre a depender do outro.

Ao abrir os olhos para a realidade de nosso País, percebemos que não são poucos os casos de idosos abandonados por seus familiares em hospitais públicos ou asilos. Estatísticas atuais afirmam que acima de 40 mil crianças e adolescentes vivem em abrigos. Estes nunca deixaram de ser alvo do interesse e cuidado divino evidenciado pelo texto que diz: “A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo”. (Tiago 1:27)

De certa forma, todos estão suscetíveis no decorrer da vida a passar por uma sensação ou uma situação de abandono, seja na infância ou devido a traumas causados pelo coração partido por expectativas frustradas de um relacionamento fracassado. Adversidades que ocorrem e contribuem para fragilizar as emoções, quando não avulta o medo de perder que certamente acompanhará o indivíduo por toda a vida pela ferida não cicatrizada.

O Filho de Deus é especialista em identificar-se conosco, pois experimentou além da própria dor física, a dor emocional causado pelo abandono, primeiro pelos seus próprios discípulos, sem falar da solidão espiritual. Na própria cruz, enquanto moído pelas transgressões da humanidade, depara-se com o que muitos considerariam a dor maior, o abandono do Pai, o que o faz clamar: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?” que significa: “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste’”. (Marcos 15:34)

Dor esta necessária para a nossa reconciliação com o Pai. Tudo a fim de preparar o caminho e colocar em cena a pessoa especial do Espírito Santo, o qual vem para habitar conosco para sempre. (João 14:16) Cristo, ao realizar sua missão e prestes a retornar ao Pai, tem o cuidado de que suas últimas palavras aos discípulos fossem: “E eu estarei com vocês todos os dias, até o fim dos tempos”.

Aprenda, portanto, a desenvolver confiança tão somente na afirmação que nos faz descansar do próprio Deus quando diz: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei" (Hebreus 13:5). Esteja certo de que não perderá seu tempo reclamando aqueles que saíram de sua vida enquanto pode celebrar aqueles que Deus tem colocado hoje. E mesmo que surpreendidos por ocasiões de desprezo ou desamparo, olhe para o alto e como Davi declare: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”(Salmos 23:4).

 

 

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