É de fazer rir a manifestação do presidente regional do PMDB, Esaqueu Nascimento, reprovando a declaração dado pelo governador André Puccinelli em entrevista ao jornalista César Cordeiro na última sexta-feira, quando André garan-tiu que iria trabalhar para unir o deputado federal Geraldo Resende (PMDB) ao prefeito Murilo Zauith (PSB) nas elei-ções do ano que vem. No elevadíssimo grau da sua autoridade de presidente estadual do PMDB, Esaqueu desaprovou a fala do governador e disse que não aceitaria outro caminho que não a candidatura própria do partido em Dourados. Será que o Diretório Regional do PMDB tem café no bule para bancar uma campanha eleitoral na segunda maior cidade do Estado? De onde o senhor Esaqueu Nascimento vai tirar R$ 10 milhões para a campanha, se nem mesmo o governador acredita em candidatura própria em Dourados?
Quem leu a matéria publicada ontem na terceira página deste matutino, chegou a acreditar que o poderoso Esaqueu tem o comando do PMDB, mas bastou um mínimo exercício de bom senso para resgatar a certeza que quem manda no partido é o governador e que o presidente do Diretório Estadual não tem qualquer autoridade para aprovar ou reprovar declarações de André Puccinelli.
Quem conhece o governador André Puccinelli aposta que ontem mesmo ele telefonou para Esaqueu Nascimento para dar uma ensaboada no presidente do Diretório Regional do PMDB. Onde já se viu um mero administrador de legenda reprovar a fala de um governador de Estado? Ademais, se Puccinelli classificou Murilo e Geraldo como “dois filhos” e deixou claro que não gostaria de ver esses “filhos” brigando, já está claro que o PMDB não terá candidato em Dourados.
Não é de hoje que o governador vem trabalhando para costurar o consenso na segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul. Ademais, com esse negócio de a Procuradoria-Geral da República determinar que o Ministério Público Federal (MPF) investigue autoridades federais grampeadas na Operação Uragano, o governador não vai meter a mão em cumbu-ca.
Veja essa: a reforma da Praça Antônio João, iniciada ainda na gestão de Laerte Tetila (PT) e finalizada após a renún-cia de Ari Artuzi, quando a prefeita interina Délia Razuk mandou concluir os preparativos para devolver a praça ao povo em dezembro do ano passado, custou mais de R$ 2,3 milhões aos cofres públicos. A reforma, e bota reforma nisso, foi bancada com recursos federais assegurados por emendas ao orçamento.
Agora veja essa: a Prefeitura de Dourados já assinou convênio com o Ministério das Cidades para construir a Praça da Juventude, que terá Ginásio de Esportes coberto, teatro de arena com capacidade para até 100 pessoas, quadra de vôlei de areia, campo de futebol society com arquibancadas, pista de caminhada, pista de salto, campo de futebol de areia, quadra esportiva, pista de skate, parque infantil, academia a céu aberto, além de dispositivos de acessibilidade, e custará apenas R$ 2 milhões.
Cabe ao Ministério Público Federal (MPF), já que os recursos saíram dos cofres da União, apurar porque uma refor-ma, que não foi lá uma transformação no projeto original, custou mais de R$ 2,3 milhões se a construção de uma praça nova, muito mais completa, sairá por menos de R$ 2 milhões. Com a palavra, aqueles que têm a missão de zelar pelo dinheiro público.
Diz a lenda que o prefeito Murilo Zauith está esperando fevereiro chegar para promover uma reforma administrativa no organograma de governo. Quem entende do riscado analisa que o prefeito perdeu a grande chance de aceitar o pedido de demissão do seu secretário de Governo, José Jorge Leite Filho, o Zito, uma vez que muitos pleitos chegam na Pasta e são engavetados, causando desgaste desnecessário para o chefe do poder.
Por falar em Murilo, depois de determinar a retomada das obras do Frigorífico do Peixe, o prefeito entregou a Central de Abastecimento da Agricultura Familiar que será, finalmente, colocada em funcionamento. A Central terá toda a es-trutura necessária a partir de janeiro e será um grande incentivo para que o setor produtivo familiar possa crescer em Dourados.
Alcides dos Santos Ribeiro, presidente da Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Mato Grosso do Sul, está enviando correspondência aos deputados federais e senadores do Estado pedindo para que a bancada federal não vote favorável prorrogação da Desvinculação da Receita da União (DRU) ou que, em último caso, retire a incidência da DRU sobre o orçamento da seguridade social.
O representante dos aposentados aponta, com muita propriedade, a inconstitucionalidade da incidência da DRU sobre os recursos destinados constitucionalmente para a Previdência Social e alerta que a tal DRU é uma afronta a todos que contribuíram e que estão contribuindo para terem garantida a sua aposentadoria.
Na correspondência, Alcides dos Santos Ribeiro lembra que nos últimos dez anos o governo federal retirou da se-guridade social aproximadamente R$ 470,5 bilhões por meio da DRU, razão pela qual os aposentados e pensio-nistas ficam impedidos de receber correções reais nos benefícios que recebem.
Resta saber se a bancada federal, composta pelos deputados federais Reinaldo Azambuja (PSDB), Marçal Filho (PMDB), Nelson Trad Filho (PMDB), Geraldo Resende (PMDB), Edison Giroto (PMDB), Vander Loubet (PT), Antônio Carlos Biffi (PT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM), bem como pelos senadores Delcídio do Amaral (PT), Antônio Russo (PR) e Waldemir Moka (PSDB), será sensível ao pedido dos aposentados. A coluna vai acompanhar e informar como cada um