Beneficiários multiplicam renda familiar com pequenos negócios

As famílias que fazem parte do programa passam por mudança de comportamento. Com apoio das equipes que fazem acompanhamento e as reuniões, os beneficiários passaram a multiplicar o valor de R$ 170 que recebem por mês

17/07/2017 07h00

 
Tatiana Aparecida, de 38 anos, conta que Vale Renda tem sido fundamental para sustento da família Tatiana Aparecida, de 38 anos, conta que Vale Renda tem sido fundamental para sustento da família

As famílias que fazem parte do programa de assistência social Vale Renda passam por uma mudança de comportamento. Com apoio das equipes que fazem acompanhamento e as reuniões mensais, os beneficiários passaram a multiplicar o valor de R$ 170 que recebem por mês criando seu próprio negócio. De acordo com a secretária de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho, Elisa Cleia Nobre, o Vale Renda é desenvolvido com objetivo de levar ações voltadas para as famílias sul-mato-grossenses em situação de vulnerabilidade socioeconômica.

"Além do aporte financeiro, as famílias participam de reuniões socioeducativas mensais, com palestras e empoderam-se de informações sobre seus direitos e deveres, serviços públicos, conceitos de cidadania e também recebem auxílio no trajeto para a independência e melhores condições de vida em um futuro mais digno. O incentivo ao empreendedorismo vem nesse sentido, de podermos oferecer melhores condições para que eles possam sustentar a família e também de melhorarem a renda familiar com a criação de seu próprio negócio para independência financeira", declarou.

A coordenadora do Vale Renda, Angela Nunes de Lima Ferreira, diz que a política de transferência de renda tem como diretrizes formular e implementar programas para fortalecer os vínculos familiares, oportunizar qualificação profissional e geração de emprego e renda. "O programa de governo dá um auxílio financeiro para quem realmente precisa. Fazemos esse trabalho de apoiar e motivar porque sabemos que com empenho, as pessoas são capazes de mudar suas realidades", frisou.

Superação

Tatiana Aparecida, de 38 anos, começou a fazer tortas, salgados e bala baiana para vender. Desempregada e enfrentando um tratamento sério de saúde, ela ganhou forças para sair de uma depressão e começar a trabalhar por conta própria no grupo que frequenta do programa Vale Renda.

"O programa me ajuda muito. Recentemente passei por uma fase muito difícil. Tive um acidente de trabalho e acabei sendo demitida. Tenho dois filhos, moro de aluguel e ainda estou em tratamento. Se não fosse o Vale Renda não teríamos nem o suprimento de casa. Nada é fácil. Mas nas reuniões eu comecei a me sentir muito motivada, são muitas histórias de vida. E quando a gente passa por uma dificuldade, com risco de morte, como foi meu caso, pensa seriamente na vida que vem levando. Eu pensei: se consegui passar por tudo isso e sobressair, eu sou capaz", contou.

Com o apoio do grupo, surgiu o interesse por iniciar um negócio que pudesse ser feito em casa. "Quando nos falaram de buscar uma alternativa eu logo pensei: na área de estética não dá, sou péssima em fazer unha, cabelo então piorou (risos). Mas o alimento, eu já tinha trabalhado com isso. Foi quando comecei a fazer as tortas, salgados e bala baiana. Me encorajei, peguei o dinheiro do Vale e comecei. É pouquinho ainda, mas a clientela está gostando muito. Isso me incentivou tanto que prestei um vestibular em junho e depois de 20 anos sem estudar passei para o curso de Direito. Agora vou atrás do Vale Universidade. Tenho uma filha de 16 anos que me apoia muito. Antes me sentia incapaz, mas agora vejo que isso é só o começo e eu não vou desistir", disse.

Capital de giro

Beneficiária do programa há muitos anos, dona Veralucia Alves Barreto, 51 anos, conta que o sucesso do seu negócio vem da força de vontade e daquele ‘empurrãozinho’ que o Vale Renda dá todo mês. Segundo ela, saber que pode contar com os R$ 170 mensais faz toda a diferença na hora de planejar sua produção e também os gastos de casa. Veralucia confecciona peças de tricô e crochê e já vendeu seus produtos até para uma cliente em Boston, capital do estado de Massachusetts nos Estados Unidos da América (EUA).