Luiz Taques lança "Um Rio, Uma Guerra"

Segundo Karen Debértolis, "as sonoridades se mesclam, as barreiras entre dois mundos tão diversos, tão próximos, herança de séculos de convivência"

19/03/2017 14h33

Livro de escritor Luiz Taques perpassa por sentimentos nobres Livro de escritor Luiz Taques perpassa por sentimentos nobres

O rio embala a história da nova obra do escritor e jornalista Luiz Taques.

Segundo a escritora Karen Debértolis, que assina a "orelha" do livro "Um Rio, Uma Guerra", no curso da narrativa "as sonoridades se mesclam, as barreiras entre dois mundos tão diversos, tão próximos, herança de séculos de convivência. Aos olhos do filho que visita a mãe, muitas solidões escancaram-se. A fragilidade da matriarca sempre à espera de alguém que a conduza ao rio e às suas recordações de dias felizes. (...) A ironia fina, e na medida exata, é a companheira da leitura e o contraponto para narrar esta história que imprime uma visão peculiar de um momento imprescindível da história do país. Certamente, um momento que precisa ser revisitado para entendermos o hoje", argumenta Karen.

Na avaliação da poeta e jornalista Aline dos Santos, "Um Rio, Uma Guerra", perpassa por sentimentos nobre. "Mas longe do caudaloso rio de fronteira, são as águas íntimas da relação filho e mãe que mais ameaçam. Elas falam de saudade, de pessoas que viram retratos, do tempo que avança sobre o que se tem de mais amado, das lembranças que oxigenam o presente. Uma narrativa construída com lirismo, sem afetação, na linha tênue da dor e da delícia, onde cada palavra só poderia estar onde a encontramos", ressalta em crítica a poeta e jornalista Aline dos Santos.

O blog do escritor Carlos Carvalho, enfatiza que "se em Érico Veríssimo a mulher é associada a terra (Ana significa "terra" em hebraico. Lembremos da personagem Ana Terra), em Luiz Taques a mulher é associada à imagem do rio em toda sua dádiva e esplendor".

Histórico

Luiz Taques nasceu em Corumbá e vive em Londrina (PR). É autor do romance "Pedro" (2013) e dos volumes de contos "O Casamento Vai Acabar Com o Poeta" (2002), "Bebinho, Mamadinho e o Velório de Bafo de Alho" (2008), além da novela infantojuvenil "A História de Zé Vida de Barraca (1997).

Em parceria com José Maschio publicou o livro-reportagem "Crônica de Uma Grande Farsa" (2013). Como repórter recebeu em 1990, um prêmio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), por reportagem sobre tortura em delegacias de Polícia. Em 1991, ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos com reportagem sobre escravidão em carvoarias.

Ele dedica o livro "Um Rio, Uma Guerra", ás vítimas de um conflito sem fim: os guarani-kaiowá.