No Dia do Atleta, judoca douradense vice-campeã mundial fala sobre sua trajetória no esporte

Camila Gebara começou aos 3 anos e hoje aos 21 coleciona títulos internacionais

Por: Vinicios Araújo - 21/12/2016 16h10

Atleta douradense Camila Gebara. Atleta douradense Camila Gebara.

Hoje, 21, comemora-se o Dia do Atleta e a redação do Jornal O PROGRESSO recebeu a judoca douradense vice-campeã mundial, Camila Gebara, para conhecer um pouco sobre a sua trajetória no esporte.

Incentivada pelos pais, Camila Gebara iniciou no Judô aos 3 anos no Clube Indaiá com o irmão que um tempo depois veio a desistir do esporte por falta compatibilidade. Com pais competidores no futebol e vôlei, Camila afirma que sempre foi motivada a ir além dos treinos e enfrentar as competições.

Camila Gebara vestida com kimono branco. Camila Gebara vestida com kimono branco.

Quando começou a lutar nos torneios municipais, estaduais e enfim a primeira classificação para o brasileiro, os pais de Camila perceberam o interesse da filha e decidiram investir na atleta. Foi quando Camila mudou para o Clube Sakurá focada nas competições.

Hoje, Camila Gebara coleciona um currículo invejável de dez campeonatos brasileiros, um vice-campeonato mundial, tricampeonato pan-americano e em 2012 foi eleita a Melhor Atleta do Brasileiro fora os diversos países pelo qual a atleta passou mostrando a qualidade do judô brasileiro.

Camila durante treino no Japão na última semana. Camila durante treino no Japão na última semana.

Na última quinta-feira Camila chegou do Japão, onde participou de competições e treinamentos. Ela afirma que sempre acreditou no seu potencial, e que já passou por alguns constrangimentos por ser do interior.

"Técnicos, clubes, pessoas já me disseram que em Dourados eu não iria conseguir me destacar como atleta, mas eu nunca acreditei nisso", declarou Camila.

 
Camila Gebara com seu esposo e técnico Jorge Yamakawa. Camila Gebara com seu esposo e técnico Jorge Yamakawa.

Umas das conquistas que Camila recebeu do esporte foi seu casamento. É isso mesmo, foi nos tatames que ela encontrou o amor da sua vida.

Após entrar para o Clube Sakurá, Camila ficava limitada aos treinos por conta do seu porte físico. Pela idade, ela deveria treinar na turma infantil, porém pelo seu tamanho era impossibilitada. Ela começou a participar da turma dos adultos e como os treinos eram no último período, Camila ficava na companhia de Jorge à espera dos pais.

"Nós começamos a criar uma amizade, e por ser do mesmo porte físico que o meu era também meu parceiro de treino", comentou a atleta.

Jorge e Camila durante ensaio do casamento. Jorge e Camila durante ensaio do casamento.

Nesse ano eles se uniram em matrimônio e Camila deixa bem claro que dentro do tatame seu esposo Jorge se torna somente seu sensei. Para Jorge, ver a esposa chegando onde tem chegado é um motivo de realização.

Com o passar dos anos Camila e Jorge perceberam que eles tinham muitas coisas em comum além do Judô e foi então que decidiram se relacionar e segundo ela, Jorge deixou claro que eles deveriam dividir bem a vida profissional da pessoal.

 

Em Dourados, várias escolas municipais recebem treinos oferecidos gratuitamente para os alunos. Apesar de não ter entrado no esporte através desses projetos, Camila declarou que eles são muitos importantes e que no Brasil existem muitas referências que nasceram neles, como a judoca brasileira Sara Menezes, primeira medalhista de ouro olímpica do Brasil.

Camila afirma não ter uma referência específica, mas que de todos os grandes atletas do judô mundial, ela admira algo.

"Não desistam. Não importa se você é do interior o capital, sempre haverá uma pedra no caminho a ser ultrapassada, mas tudo na vida é possível. O importante é não desistir. Melhor é se arrepender por não ter alcançado do que por não ter tentado" concluiu a atleta em recado a todos os atletas douradenses.