Com a colheita as soja, milho safrinha começa a ser plantado na região de Dourados (Foto: Hedio Fazan/OPROGRESSO)
DOURADOS – A produção do milho safrinha está sendo antecipada na região da grande Dourados. A colheita da soja já começou nas áreas onde o grão foi semeado de forma precoce, em outubro. Com isso as primeiras cargas de sementes de milho começam a deixar as cooperativas rumo às fazendas.
O presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos da Grande Dourados (Aeagran), Bruno Tomazini, estima que cerca de 5% da área da soja tenham sido colhidas na região. Segundo ele, as plantadeiras já aguardam as colheitadeiras concluírem a retirada da soja que está no campo.
De acordo com Bruno, a previsão de chuva para os meses de fevereiro e março é boa, oportunidade para melhorar o desenvolvimento do milho que for plantado de forma precoce. “Além de aproveitar a chuva irá ainda fugir da geada”, explica o engenheiro agrônomo.
Mato Grosso do Sul manterá sua condição positiva durante a safra total de milho. Sua área cultivada poderá aumentar 2,3% atingindo, na safra 2011/12, em torno de 2 milhões de hectares. A produtividade que em 2010/11 foi de 3.443 quilos por hectare, poderá chegar à safra 2011/12 a 3.513 kg por hectare, crescimento estimado em 2%.
Soja
Levantamento da Conab destaca que, no Sudoeste do Estado, as poucas chuvas causam apreensão aos produtores. Por esse motivo, as plantas estão com porte abaixo do normal indicando indícios de uma produtividade menor do que a prevista. Na região de Dourados as perdas podem chagar a 30%, porém varia muito da cada região, já que a chuva ocorreu em pontos isolados.
Pelas projeções iniciais feitas pelos técnicos da área agrícola, dos 140 mil hectares plantados, espera-se colher 3.780 quilos por hectares – 63 saca/ha – que deveria resultar num total de mais de 529,2 mil toneladas. Na safra passada foram colhidas 448,8 mil toneladas numa produção esperada de 3.300 quilos por hectare.
Mercado
A demanda crescente do mercado nacional está mudando o foco dos produtores brasileiros. As exportações de commodities agrícolas, que garantiram a expansão do agronegócio e boa parte do superávit da balança comercial em 2011, pode perder peso neste ano. E o motivo está nos números: os preços pagos no Brasil pelos principais grãos estão até 134% acima das cotações internacionais.
Os casos mais visíveis são da soja e do milho, que são largamente utilizados em rações animais. A saca de 60 quilos desses produtos estão sendo negociadas no mercado físico brasileiro por R$ 48,22 e R$ 30,53, respectivamente. Na bolsa de Chicago, os mesmos produtos valem US$ 12,12 e US$ 6,41. Convertidos para preços em reais, lá fora a soja vale menos da metade e o milho um pouco mais que um terço do preço pago no Brasil. No segmento cafeeiro, a diferença também existe, mas é menor. Valendo R$ 469 a saca de 60 quilos no mercado interno, os produtores ganham 20% mais aqui do que exportando.
No caso do milho, a quebra de safra no sul do país - que já resulta em perdas de dois terços da produção da região -, forçará o produtor a se voltar exclusivamente ao mercado nacional.