(Foto : Hedio Fazan/OPROGRESSO)DOURADOS – Uma cena está se tornando cada vez mais comum na cidade de Dourados: garrafas espalhadas pelo chão, além do mau cheiro de urina na porta de estabelecimentos comerciais e residências. Esse problema está se tornando crônico, principalmente nas imediações das conveniências, novos point’s da cidade que reúnem jovens numa diversão que envolve bebida, direção perigosa e algazarra.
Ao andar pelo centro de Dourados no período da noite é fácil encontrar aglomerações ao redor de bares, conveniências e postos de combustíveis. Muitos jovens ligam o som do carro em alto volume e transformam a rua em uma verdadeira boate. Como tornou-se comum as conveniências de Dourados se transformarem em ponto de encontro, quando uma delas tenta se instalar na cidade a reclamação é antecipada.
Nem mesmo imediações de escolas escapam das algazarras. O trecho da Avenida Presidente Vargas ao lado da escola Castro Alves é uma delas. Até o final do de 2011 o point de jovens era considerado pequeno. No início deste ano aumentou consideravelmente, provocando fúria a empresários e moradores da região.
A venda de bebidas nas imediações atraiu adeptos de festa ao ar livre. Eles foram chegando aos poucos e hoje ocupam o local como uma área de concentração. Até aí tudo bem, o problema vem depois. Empresário que preferiu não se identificar diz que de quinta a segunda-feira é obrigado a recolher com seus funcionários dezenas de garrafas de cerveja e de vodka. “Eles deixam enfileiradas na marquise da minha empresa. Pior ainda é que muitas delas são quebradas no chão e cacos ficam espalhados por toda a calçada e rua”, disse.
Quem também sofre são os moradores da área central. Além de garrafas na frente das casas, os muros se transformam em banheiro masculino. A ‘catinga’ da urina só é aliviada depois de muita água e produto químico. “Isso é um absurdo. Eles passam a noite inteira bebendo. Sem nenhuma responsabilidade ou conscientização jogam garrafas na rua, para dentro do quintal da gente. O pior é que se falarmos com eles somos intimidados”, disse uma moradora que também preferiu não se identificar.
Essa semana O PROGRESSO flagrou garrafas de cerveja espalhadas pela Avenida Presidente Vargas. A calçada ao lado da escola Castro Alves passou a amanhecer tomada de cacos de vidro, um perigo para as centenas de crianças que iniciaram o ano letivo e os pedestres que por ali transitam. Os pais de alunos são obrigados a estacionar longe das sarjetas, para escapar dos cacos de vidro que podem arruinar os pneus.
Principalmente nas quintas e sextas-feiras a rua se transforma em um point. Som alto e bebedeira está sendo uma das principais atrações para quem frequenta o local. “Se eles se divertissem sem causar prejuízos, tudo bem. Agora urinam em nossa porta e quebram garrafa em frente de nossos estabelecimentos. Isso é inadmissível”, questiona um outro empresário.
Reclamação
O secretário municipal de planejamento de Dourados, Antônio Nogueira, disse recentemente ao O PROGRESSO que a prefeitura não pode negar alvará a estabelecimentos que queiram se instalar na área central, especificamente no caso de conveniências.
O fato de que esses locais possam se tornar ponto de encontro é uma outra questão, informou o secretário. Segundo ele, isso se enquadra no Código de Postura do Município. “Os moradores que se sentirem prejudicados com qualquer tipo de estabelecimento pode fazer denúncia”, afirmou.
No caso de bares e conveniências, segundo ele, a proposta desses estabelecimentos é somente a de vender seus produtos, não de reunir pessoas ao seu redor. “Se houver aglomerações esses locais serão penalizados”, informou, enfatizando que o Código de Postura existe para fiscalizar e aplicar medidas administrativas aos locais que não se enquadram à lei.