17/02/2012 07h57 - Atualizado em 17/02/2012 07h57

Fim do calçadão divide opiniões

Estudantes são contra; alguns comerciantes aprovam a retirada do calçadão da Rua Nelson de Araújo

 
Valéria Araújo
Do Progresso

DOURADOS – O fim do calçadão da Rua Nelson de Araújo, centro de Dourados, divide opiniões. Ontem, um grupo de universitários do Movimento Estudantil foi para o local, onde promete acampanhar para impedir o avanço dos trabalhos de abertura de rua. O movimento estudantil, o mesmo que protestou recentemente contra a retirada de uma figueira na área central de Dourados, volta em cena para protestar pelo fim do calçadão, considerado patrimônio histórico e cultural do município.

Estudantes cobram o destino da placa que denominava calçadão como patrimônio (Foto: Jorge Lange/OPROGRESSO)

Eles alegam que a sociedade não foi ouvida. “São 20 anos de história. Nós estudantes, esperávamos que o local fosse revitalizado, não destruído. Estamos aqui para defender a cultura e história de Dourados que está indo por água abaixo. Aqui deveria ser um local que se estimulasse a cultura. Em Dourados existem cursos de artes cênicas, existem também artistas profissionais e amadores que sofrem porque não dispõem de um local para se apresentar. O calçadão era a nossa esperança, já que numa cidade universitária deveria se estimular os espaços para manifestações artísticas. Deveria haver galerias de exposição, apresentações, saraus, teatro, dança, pinturas, poesia, entre outros. Deveria haver aqui um espaço para a atração destes artistas e da família douradense”, destaca a estudante Fabiana Cristina Leal Torres.

Para ela, o local deve ser preservado porque possui valor cultural. “Havia uma placa na pedra da entrada do calçadão. Ela foi simplesmente retirada. É a morte de um patrimônio”, destaca.

Segundo a estudante, outro grupo já acionou o Ministério Público Estadual. O objetivo é levantar a legalidade da obra, supondo que o calçadão seja um patrimônio.

A estudante Luhhara Arguelho, se diz decepcionada. “A sociedade não foi consultada, somente alguns comerciantes. O calçadão pertence a todos os douradenses não só a um grupo restrito de pessoas”, alega.

A colega, Ana Clara Penzo de Souza, acredita que estão “apagando a história de Dourados. Já não temos muitos locais para cultura e estamos perdendo mais um”, lamenta.

Questionada sobre o fato da área não estar atualmente sendo utilizada para as manifestações culturais ela justifica que o calçadão estava abandonado, mas que era preciso uma revitalização e incentivo da Prefeitura para atender estes anseios. “Quando vimos as primeiras máquinas trabalhando ficamos felizes por acreditar que o local estava sendo revitalizado. Quando soubemos que o calçadão estava sendo destruído iniciamos uma mobilização, que começou nas redes sociais, e viemos para cá, na tentativa de barrar esta atividade”, destaca.

O contador, Donisete Resende, que atua num escritório de contabilidade, diz que se o calçadão fosse revitalizada não precisaria ser retirado, porém na situação de abandono em que se encontrava foi a melhor saída. “Aqui estava escuro e era utilizado por usuários de drogas”, disse.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED), Francisco Custódio, diz que a pedido da secretaria de Serviços Urbanos realizou duas reuniões com os comerciantes. “Pouca gente compareceu, das três quadras do calçadão, mesmo sendo convidadas. Dos participantes, uma minoria queria a permanência do local. A maioria optou pela construção da avenida”, destaca.

OUTRO LADO

Em release distribuído aos meios de comunicação, a Prefeitura alega que a obra é uma proposta de modernizar o trânsito de Dourados “Nesse local existiu um calçadão por mais de 20 anos e, segundo os estudos, atualmente o espaço ficou totalmente fora da realidade da cidade, assim com as rotatórias, que já foram retiradas da Avenida Marcelino Pires. Eram dois quarteirões com apenas uma pista estreita, dificultando o estacionamento de carros e o tráfego de veículos, que cresceu muito nos últimos anos na cidade”.

De acordo com a Secretaria Municipal de Obras, que executa os trabalhos, por conta da existência daquele calçadão, em períodos de muita chuva o cruzamento da Nelson de Araújo com a Weimar Torres ficava completamente alagado. Tanto que além da abertura nesse ponto, a prefeitura irá implantar um sistema de drenagem para acabar definitivamente com o problema.

 
 
 
 
 
 
Imóveis Apartamentos Veículos e Utilitários Importados Motos Diversos Telefones Empregos e Oportunidades