Campo Grande - O confronto entre grupos rivais em torno do comando de cargos federais em Mato Grosso do Sul é apenas o prenúncio do cenário político que se desenha na campanha eleitoral deste ano, quando PMDB e PT devem travar nova disputa pelo comando da prefeitura de Campo Grande.
Peemedebistas e petistas voltarão a se enfrentar na sucessão do prefeito Nelsinho Trad (PMDB), tendo respectivamente como prováveis candidatos os deputados federais Edson Giroto e Vander Loubet.
Hegemônico no maior colégio eleitoral do Estado, o PMDB ainda não digeriu o golpe dado pela bancada federal petista, cuja manobra tirou o controle da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) das mãos do grupo político liderado pelo governador André Puccinelli.
A manobra de bastidores que envolveu a presidente Dilma Rousseff, resultou na demissão do superintendente regional da Funasa, Flávio Britto, substituído pelo ex-deputado estadual Pedro Teruel (PT).
As articulações dos parlamentares petistas provocaram nova crise entre os dois partidos, que, apesar de aliados no plano nacional, são adversários ferrenhos e históricos em Mato Grosso do Sul.
A relação entre as duas legendas azedou ainda mais com as investidas do governador André Puccinelli e da bancada do PMDB depois da demissão do superintendente regional do Denit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte), Marcelo Miranda Soares (PR), acusado de omissão em atos de supostas irregularidades na gerência do órgão em Dourados.
O troco nos petistas deve vir com a nomeação do novo dirigente Dnit, cuja preferência do governador é pelo nome de José Luiz Vianna, o qual conta com apoio da bancada federal do PMDB e de representantes do DEM e PSDB na Câmara. O senador Delcídio do Amaral e os deputados federais Vander Loubet e Antonio Carlos Biffi, todos do PT, são contra a nomeação do engenheiro apoiado pelo PMDB.
O agravamento da crise teve início em 20 de janeiro, data da publicação da nomeação de Pedro Teruel na Funasa. Descontente, o coordenador da bancada federal do Estado, deputado Geraldo Resende (PMDB), desabafou, dizendo que a indicação do petista foi uma “bofetada” no PMDB de Mato Grosso do Sul.
Padrinho político de Britto desde a época de militância no PPS, do qual foi presidente regional, Resende garantiu que tomou conhecimento da exoneração somente um dia antes, quando decidiu entrar em contato com lideranças peemedebistas.
O deputado disse que o senador Waldemir Moka também havia entrado em contato com lideranças nacionais do PMDB e relatou o caso ao líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL). Moka, no entanto, negou a interferência. Depois de alguns dias fora do comando da Funasa, Britto irá dirigir a Fundesporte (Fundação do Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul) em lugar de Júlio César Komiyama, que respondia pelo setor.
DISTANCIAMENTO
O certo é que as alianças para a disputa municipal deste ano ainda estão em fase inicial de negociação, mas já é possível sentir o clima pesado entre os dois principais adversários políticos à sucessão de Nelsinho Trad.
Além do mais, o racha iminente na base governista por conta das candidaturas de PSDB e PPS deverá acirrar ainda mais os ânimos entre os principais líderes políticos interessados no próximo pleito.
Na verdade, nem a cúpula nacional do PMDB está se entendendo com os aliados no momento, o que pode provocar um distanciamento do governo, embora os analistas políticos achem pouco provável eventual rompimento devido ao poder de barganha do partido do vice-presidente da República, Michel Temer (SP), principalmente pelo interesse petista de ampliar suas bases eleitorais a partir de outubro.
Apesar disso, só há até agora previsão de aliança entre o PMDB e o PT em duas das 27 capitais do país: São Luís e Rio de Janeiro.
Correndo por fora, o PSDB opera para eleger o deputado federal Reinaldo Azambuja, visto como uma espécie de ‘terceira via’ no processo sucessório deste ano na Capital. O projeto do ‘alto tucanato’ agrada a Vander Loubet, que também torce pela candidatura do vereador Athayde Nery (PPS), outro ex-aliado dos peemedebistas.
Também pretendem concorrer à prefeitura o empresário e ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues (PSD), o deputado estadual Alcides Bernal (PP) e o ex-deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT).