Vacinação em presos suscita polêmica em redes sociais

O Ministério da Saúde está constantemente esclarecendo o porquê de vacinar esta determinada população contra a gripe

Por: Luiz Radai - 25/04/2018 19h08

 
Vacinação em presídios acontece desde 2012 no Brasil (Arquivo) Vacinação em presídios acontece desde 2012 no Brasil (Arquivo)

A informação divulgada em redes sociais da Prefeitura de Dourados sobre o cronograma e escalonamento para a aplicação da vacina contra a Influenza A tendo "população privada de liberdade, o que inclui adolescentes e jovens de 12 a 21 anos em medidas socioeducativas" entre os grupos de risco suscitou comentários de indignação e muita polêmica.

A vacinação de presos, estipulada pelo Ministério da Saúde desde 2012, ainda é motivo de polêmica sob o principal argumento de que alguém que causou dano à sociedade tem um privilégio que os ditos ‘cidadãos de bem’ não têm. Entre os comentários, cidadãos dispararam frases como: "... presidiários têm mais valor do que a população que carrega as cidades nas costas pagando impostos altíssimos. E as crianças como ficam?". E ainda: "... preso tem direito. Será que vou ter que ir presa para poder tomar?".

Como a polêmica não é de agora e, tampouco uma especificidade de Dourados, o Ministério da Saúde está constantemente esclarecendo o porquê de vacinar esta determinada população contra a gripe.

Segundo a União, pessoas privadas de liberdade fazem parte de um grupo que tem alta prevalência, um risco mais elevado de ter uma doença respiratória e, ao proteger este grupo, se protege um conjunto da sociedade com o bloqueio de uma cadeia de transmissão da gripe, para pessoas que visitam este grupo, para familiares de quem trabalha em penitenciária, para quem tem contato com trabalhador ou com visitante deste grupo.

Para se ter ideia do quanto o sistema penal representa no montante de vacinas, em Mato Grosso do Sul, são mais de 15 mil presos no sistema carcerário e, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, são mais de 830 mil doses destinadas a Mato Grosso do Sul. Em Dourados, o número de presidiários está perto dos 3 mil, e o montante de doses enviadas deve ser de até 80 mil.

Vale ressaltar que, além da vacina, existem medidas preventivas para evitar a contaminação e proliferação da gripe. Entre as quais está cobrir nariz e boca com lenço de papel, ao tossir ou espirrar, e descartar o lenço no lixo apos uso, lavar as mãos com água e sabão com frequência, principalmente após tossir ou espirrar, no caso de não haver disponibilidade de água e sabão, usar álcool gel, evitar tocar olhos, nariz ou boca, evitar locais com aglomeração de pessoas, manter locais que frequentam sempre arejados e evitar contato com pessoas sintomáticas.

Dentre estes cuidados, quase todos são difíceis de executar para os presos.