"Eu lutei pela vida já no ventre da minha mãe", diz para-atleta douradense

"Desde o ventre da minha mãe Deus já sabia o meu destino na terra, lutei pela vida! Os médicos não davam me chance de vida e infelizmente meu irmão gêmeo veio a falecer após 3 dias de nascido, mas eu lutei pela vida consegui sobreviver" afirmou Daiane

Por: Vinicios Araújo - 07/12/2016 18h07

Daiane Mailan de Souza, atleta paraolímpica. Daiane Mailan de Souza, atleta paraolímpica.

Daiane Mailan de Souza, 28 anos, é deficiente física e conta que precisou com muita disposição vencer muitos desafios em sua vida.

Daiane nasceu com limitações de locomoção, e desde o seu nascimento a jovem luta pela vida. "Desde o ventre da minha mãe Deus já sabia o meu destino na terra, lutei pela vida! Os médicos não me davam chance de vida e infelizmente meu irmão gêmeo veio a falecer após 3 dias de nascido, mas eu lutei pela vida e consegui" afirmou Daiane.

 
Daiane enquanto criança. Daiane enquanto criança.

Aos 6 anos ingressou no ensino básico, e segundo ela, foi um dos momentos mais felizes de sua vida. Ir à escola era um sonho, e enfim, quando esse dia chegou Daiane diz, que como um ‘balde de água fria’, ela simplesmente passou a viver um pesadelo. Sendo a única deficiente entre os colegas da escola, Daiane sofreu muito com o preconceito e perdeu toda a vontade de estudar.

Sua mãe, Cleuza Aparecida Mailan, esteve apoiando a menina em todas as fases de sua trajetória, e garantiu a Daiane que um dia ela venceria todos esses desafios, bastava que ela acreditasse em si mesmo, dizia dona Cleuza. A deficiência foi causada por complicações no parto que também causaram o falecimento do irmão gêmeo de Daiane aos terceiro dia de vida.

Daiane conseguiu concluir seus estudos, e hoje está cursando o último ano de Serviço Social. A acadêmica retornou à Escola Municipal Clarisse Bastos Rosa, onde cursou o ensino fundamental, para ministrar uma palestra motivacional à respeito da sua luta pela vida.

Durante um estágio no Centro de Convivência Dorcelina Oliveira Falador, Daiane foi convidada pelo Professor Antônio Pietramalle para participar de treinos paraolímpicos na modalidade Atletismo. "A princípio eu não queria, eu disse para ele que eu não podia fazer exercício físico" contou a para-atleta. Com a insistência de Antônio, Daiane iniciou os treinos, e nesse ano ganhou medalha de ouro na prova dos 100, 250 e 400 metros rasos de atletismo paraolímpico em Brasília/DF, pela equipe da Alecrim Paraolímpica, na qual Pietramalle é diretor esportivo.

Outro grande incentivador de Daiane foi João Azambuja, servidor público na Prefeitura de Dourados que ao ser procurado pela jovem, conseguiu incluí-la num programa de estagio. "Ele não viu a minha deficiência, e diferente de muitos por ai que acham que somos incapazes, o João acreditou em mim" declarou Daiane. A futura assistente social diz que sempre esteve acompanhada de amigos que lhe motivavam a dar continuidade em seus sonhos. Paulo Falcão e Darle Pacheco fizeram parte de sua vida, e segundo Daiane, eles foram essenciais em sua caminhada.

Em 2009, Daiane foi homenageada pela Ordem dos Advogados do Brasil, em Dourados, com mérito aos Alunos Superações.

"Por mais que a vida me colocou muitos obstáculos, busco supera-los cada dia, pois acredito na inclusão. Ser deficiente não é problema, o problema ser tratado com diferença" concluiu Daiane Mailan de Souza, acadêmica, medalhista de ouro paraolímpico, e deficiente físico.


Se você também conhece uma história de superação, se você tem algo a compartilhar, entre em contato com a Redação O PROGRESSO através do e-mail: vinicios@progresso.com.br , nós queremos contar a sua história.

Que essas histórias inspiradoras tragam um 2017 cheio de esperança e disposição para realizar os seus objetivos.

O Jornal O PROGRESSO deseja um ótimo Natal e um 2017 cheio de realizações.