Casos de diabetes em crianças crescem em Dourados

No mês de prevenção do Diabetes especialistas alertam para o consumo de alimentos inadequados.

Por: Valéria Araújo - 26/11/2016 08h05

 
Médicas Letícia e Luciana alertam para riscos do Diabetes (Foto: Marcos Ribeiro) Médicas Letícia e Luciana alertam para riscos do Diabetes (Foto: Marcos Ribeiro)

No mês de prevenção ao diabetes, especialistas alertam para o aumento no número de crianças com a doença. As médicas Luciana Secchi (endocrinologista) e Letícia dos Reis (endocrinopediatra), explicam que o crescimento no número de diagnósticos se deve em parte devido ao teste precoce e ao consumo de alimentos inadequados. "Os pediatras estão mais atentos e buscando fazer os exames mais cedo e por isto estão identificando a doença já na infância. Outra questão é a má alimentação, evidente pela exposição excessiva das crianças a produtos industrializados além de infecções que podem influenciar no aparecimento da doença", alerta Letícia.

Ela observa ainda que os sintomas apresentados nas crianças são bastante inespecíficos. "Eles simulam ou podem ser confundidos com sintomas de infecções comuns como febres, dor abdominal, vômitos, e sintomas de resfriados. Nos quadros mais avançados observa-se quadro de desidratação, perda excessiva da urina, sede intensa por conta disso, um apetite muito grande e perda de peso", destaca a especialista. Na criança ocorre principalmente o diabetes do tipo 1, que é aquele provocado quando o paciente deixa de produzir a insulina. Já entre os adultos, na maioria dos casos ocorre o diabetes do tipo 2, em conseqüência de doenças como obesidade, entre outras com alteração metabólica.

Prevenção

Segundo a especialista Luciana Secchi os principais vilões que contribuem para o surgimento da doença são o excesso de peso, o sedentarismo (falta de exercícios físicos), a ingestão de bebidas alcoólicas e o consumo de alimentos industrializados e/ou de alto conteúdo calórico, o estresse e a falta de hábitos de vida saudáveis. "A abolição da obesidade e do sedentarismo é a prevenção contra o diabetes, já que em 70% dos casos eles são os responsáveis por desencadear o diabetes tipo 2", destaca, observando a necessidade de atividades físicas por no mínimo 3 a 5 horas por semana para combater o sedentarismo. "No caso das crianças os pais devem estar atentos e reduzir o tempo de TV, além de evitar alimentos de alto teor calórico e industriais como os salgadinhos de pacote, sanduíches em padrão americano, refrigerantes e os fast-foods", alerta. Segundo a especialista, quando o paciente é diagnosticado com pré-diabetes é possível prevenir e em alguns casos pode haver bastante sucesso e o paciente consegue retardar ou evitar a progressão da doença por muitos anos.

Viver com Diabetes

O Lucas, de 9 anos, é exemplo de como viver bem, mesmo com Diabetes. A mãe dele, a fisioterapeuta Luciana da Silva Augusto Zanin, conta que descobriu a doença do filho quando ele tinha 1 ano de idade. Os sinjtomas, segundo ela foram desânimo e moleza. "O diabetes é uma doença que não te dá sintomas, mas meu coração de mãe dizia que havia algo errado. Levei ele ao hospital e insisti com o médico que internou o Lucas. Ele estava entrando em coma e corria risco de vida. Graças a Deus ele reagiu a noite", conta. De lá para cá a fisioterapeuta conta que teve que aprender do zero uma dieta saudável. "A grande verdade é que na alimentação nada se difere ao que todo ser humano deve fazer para ter saúde. São poucas as restrições e para controlá-las aprendemos a contar número de carboidratos. A rotina foi adaptada e seguimos a risca", destaca.

Amigo Tipo 1

As especialistas são coordenadoras do grupo AmigO Tipo 1, que é uma iniciativa que surgiu em abril do ano passado. Trata-se de um grupo privado sem fins lucrativos realizado em Dourados pelas médicas Luciana Secchi e Letícia dos Reis Silva. Fazem parte do projeto 42 pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e seus familiares, totalizando cerca de 100 pessoas, Os pacientes têm idades entre 1 e 67 anos e são atendidos pelas duas profissionais. Segundo a médica Letícia, o grupo surgiu com uma proposta nova de tratamento, tentando melhorar o que já era oferecido no consultório.

"Realizamos educação em diabetes para que o paciente possa lidar melhor com a sua doença e tomar as decisões mais adequadas para conseguir o bom controle, tão difícil e trabalhoso nessa doença", explica, ob-servando que no decorrer do trabalho as médicas observaram que os pacientes começaram a ter um resultado melhor em relação àqueles que faziam apenas o tratamento convencional. "Hoje sabe-se que os pacientes bem controlados com diabetes tipo 1 no mundo são em torno de 10% a 15%. No nosso grupo nós chegamos a ter em média 50% dos pacientes com bom controle e sem mudar as medicações, já que eles tinham um tratamento e nós só melhoramos a parte educacional, psicológica e emocional e obtivemos resultados muito superiores ao tratamento convencional", explica.