Juiz de Manaus diz ter sido alvo da PF por ser "respeitado pela massa carcerária"

Para Luís Carlos Valois, situação carcerária do Amazonas não é pior que em outros Estados

Por: El País Brasil - 11/01/2017 10h36

O juiz Luís Carlos Valois, que atuou para reféns na rebelião em Manaus, onde 56 presos morreram. (Foto: RAPHAEL ALVES TJ-AM) O juiz Luís Carlos Valois, que atuou para reféns na rebelião em Manaus, onde 56 presos morreram. (Foto: RAPHAEL ALVES TJ-AM)

Alguns o consideram progressista, mas o juiz Luís Carlos Honório de Valois Coelho se define como "legalista, um homem que acredita no ser humano". Crítico da criminalização e guerra às drogas, o titular da Vara de Execução Penal do Tribunal de Justiça do Amazonas é doutor pela USP e uma referência quando o assunto é sistema penitenciário (escreveu três livros sobre o tema, além de um sobre política de drogas) e já fez inúmeras palestras a respeito. Coleciona admiradores e desafetos em várias partes do Brasil, que o defendem ou o ameaçam. "Eu sempre recebi ameaças na minha carreira", diz.

Depois da carnificina em Manaus, em que atuou para liberar reféns a pedido da secretaria de Segurança Pública, o juiz se tornou alvo da imprensa: uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo relembrou investigações realizadas pela Polícia Federal na segunda fase da operação La Muralla sobre a suposta ligação de magistrados com integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN). O nome do juiz Luís Carlos Valois, que há sete meses teve a casa e o gabinete revistados pela Polícia Federal, havia aparecido em conversas de terceiros (advogados de presos) gravadas nas investigações.

A acusação é frontalmente rebatida pelo magistrado, que continua trabalhando normalmente, ao contrário da desembargadora Encarnação das Graças Salgado, ela sim afastada desde junho por determinação do Superior Tribunal de Justiça por suspeita de ligação com a facção FDN. Valois, no entanto, não acusa a polícia de perseguição. "Prefiro acreditar que foi um equívoco", diz, afirmando que as ameaças contra ele se intensificaram depois da reportagem do Estadão.