DOURADOS – Os andarilhos passaram a invadir a cidade de Dourados no verão. A facilidade de encontrar abrigo nas praças e de receber doação de alimentos os incentivam a procurar a cidade nessa época do ano. Não ficam por muito tempo e logo migram para outros municípios do país.
Cresce a quantidade de andarilhos nas praças e ruas de Dourados nessa época do ano (Foto: Hedio Fazan/OPROGRESSO)
O PROGRESSO percorreu algumas praças e encontrou vários deles, embaixo de árvores. Alguns andam em turma e geralmente não passam a noite no mesmo local. A maioria não tem documento pessoal e se nega a dizer o nome, como é o caso de ‘Reginaldo’, que a princípio disse se chamar Amarildo. Alcoólatra assumido, abandonou a família que mora em Minas Gerais. Ele foi encontrado pela reportagem ao lado do shopping. “Logo, logo estou indo embora, não quero ficar mais aqui não”, disse ele à reportagem. Aparentemente sem banho há um bom tempo, ele estava com um saco de estopa na mão e preferiu não ‘dar muita conversa’. “A minha vida é essa. Hoje estou aqui, amanhã só Deus sabe”.
Para despistar da polícia, muitos mendigos dormem em terrenos baldios. Como as praças recebem com frequência a ronda da Guarda Municipal, eles estão buscando meios alternativos para se esconder.
A praça Mário Correia, ao lado do terminal de transbordo, é uma das mais frequentadas. Andarilhos passam intermináveis tardes embaixo dos pés de seringueira, até a ronda comunitária chegar. Eles se dispersam, mas sempre voltam. O que tem chamado a atenção nos últimos anos é a grande quantidade de andarilhos indígenas. A maioria é desaldeado, vindos de assentamentos da região sul do Estado.
Cresce a quantidade de andarilhos nas praças e ruas de Dourados nessa época do ano (Foto: Hedio Fazan/OPROGRESSO)
De acordo com a secretária de Assistência Social de Dourados, Ledi Ferla, o verão é o período que mais se registra a presença de andarilhos. Esse público, segundo ela, é bastante resistente quando se trata de receber ajuda do poder público. “Vamos até eles, fazemos entrevistas, mas a maioria se recusa a ir para a Casa da Acolhida”, disse a secretária. “Na terceira, quarta visita, eles não resistem e aceitam a nossa ajuda”, reiterou Ledi Ferla, acrescentando que esse trâmite leva até um mês.
A Casa da Acolhida, localizada no Jardim Vista Alegre e mantida pela Prefeitura de Dourados, tem capacidade para atender 35 pessoas. Atualmente está lotada. No local, os acolhidos recebem alimentação, abrigo e todo o apoio assistencial. Algumas pessoas são encaminhadas para o mercado de trabalho e se dão bem, mas a maioria vai embora para a terra natal.
Ledi Ferla, que já foi coordenadora da Casa, diz que os acolhidos chegam de cidades de todo o país. “Alguns vem para cá em busca de emprego temporário; perdem o trabalho e ficam sem assistência. Outros são apenas andarilhos e ficam perambulando pela cidade.
Segundo ela, as histórias de vida de muitas pessoas são surpreendentes. “Percebi que muitos deles já foram bem de vida, tiveram famílias e por problemas pessoais como drogas e álcool caíram no mundo”, disse ela, explicando que com trabalho de assistência social e de psicólogos alguns acolhidos são inseridos no mercado de trabalho e retornam ao convívio da sociedade.
Quando os andarilhos são indígenas, segundo Ledi, o trabalho de assistência social é realizado em parceria com a Funai. “Esse público é mais fácil trabalhar porque a maioria tem família, diferente do branco”, finalizou